O Departamento de Defesa dos EUA está a preparar o envio de equipamento militar pesado para vários países do Báltico e Europa de Leste, num gesto inédito desde os tempos da Guerra Fria. São milhares de tanques, veículos de combate de infantaria e outras armas pesadas que podem ser utilizadas por até 5 mil soldados. O objetivo, segundo afirmaram as autoridades norte-americanas este fim de semana, é tranquilizar os aliados e evitar novas agressões, no seguimento das intervenções russas na Ucrânia.

Se a proposta for aprovada ao mais alto nível – falta o aval do secretário de Defesa Ash Carter e da Casa Branca -, será a primeira vez desde o fim da Guerra Fria que os EUA estacionam equipamento militar nos mais recentes Estados-membros da NATO, que antes estavam integrados na esfera de influência soviética. E será apenas comparável ao que os EUA mantiveram no Kuwait por mais de uma década depois da guerra do Golfo em 1991.

A proposta do Pentágono, cujos detalhes e prazos ainda não são conhecidos, passa por colocar na Estónia, Letónia e Lituânia material bélico suficiente para cerca de 150 soldados em cada país, sendo que para a Polónia, Roménia, Bulgária e “possivelmente” Hungria a quantidade já seria maior: equipamento para cerca de 750 soldados, em cada país.

Trata-se, segundo o New York Times, do mais proeminente gesto conjunto dos EUA e da NATO no sentido de reforçar e reafirmar as forças na região do leste europeu e de, ao mesmo tempo, enviar uma mensagem clara ao presidente russo Vladimir Putin de que os EUA vão mesmo defender os seus aliados junto à fronteira russa. Certo é que, desde a inclusão dos países bálticos na aliança da NATO, em 2004, que os EUA e outras potências ocidentais têm evitado armazenar equipamento militar ou enviar tropas de forma permanente para o leste europeu, uma vez que procuravam sempre tentar chegar a várias formas de parceria com a Rússia.

No fundo, a iniciativa supõe a admissão de que a administração Obama não prevê um fim próximo para a intervenção da Rússia na Ucrânia, que começou e março de 2013 e que se arrasta desde então, com especial incidência no leste do país. Até agora, como resposta ao conflito russo-ucraniano, o mais longe que os EUA foram foi levar a cabo exercícios militares nos países da Aliança Atlântica no leste e manifestar o seu apoio a esses países, e à Ucrânia que não pertence à NATO.

De acordo com um porta-voz do Pentágono Steven Warren, citado pelo New York Times, a decisão sobre “se e quando” vai ser dada a ordem para colocar o equipamento no local ainda não está tomada: “O Exército norte-americano continua a ponderar e a conversar com os seus aliados sobre qual será a melhor localização para depositar tal material”, disse. O prazo, contudo, é limitado, já que a ideia é ter o plano aprovado antes da reunião dos ministros da Defesa da NATO a realizar este mês em Bruxelas, esclareceu um alto responsável norte-americano que falou ao jornal de Nova Iorque sob condição de anonimato.