Passos Coelho defende que os líderes europeus devem preparar uma resposta conjunta para enfrentar uma eventual saída da Grécia do euro, e remeteu essa resposta para o Banco Central Europeu. Em entrevista à agência Reuters esta sexta-feira, o primeiro-ministro repete uma ideia já promovida pela ministra das Finanças esta semana, depois da última reunião falhada do Eurogrupo.
Quanto ao risco de contágio a Portugal, o primeiro-ministro desvaloriza o impacto, sublinhando que um cenário de Grexit “não põe em risco países como a Irlanda, Portugal, Espanha, ou Itália”. Passos Coelho adianta mesmo que as reservas financeiras constituídas pelo Tesouro “colocam-nos numa situação que não põe em risco em risco qualquer pagamento que temos de fazer até meados de 2016”. Este prazo representa mais seis meses, em relação à anterior afirmação do primeiro-ministro, segundo a qual Portugal poderia enfrentar eventuais restrições ao financiamento, geradas pela crise grega, até final do ano.
“O que posso dizer é que se eu estivesse na posição do primeiro-ministro grego estaria com certeza muito preocupado com a situação que o meu país estivesse a viver”, afirmou Passos Coelho na mesma entrevista, realizada nos jardins de São Bento, onde fez questão de sublinhar que Portugal está melhor do que a Grécia. Desde logo “porque não há pagamentos internacionais que precisemos de fazer para os quais não tenhamos o financiamento adequado”, disse.
Nesta entrevista, o primeiro-ministro reafirmou o que tem dito nos últimos dias: a Europa está agora mais bem preparada para uma saída do país helénico do que no auge da crise. “Se um acidente desses acontecer, que nunca aconteceu no passado, temos hoje outra confiança e outra segurança para lidar com um acontecimento desses”, disse.
Mas a poucos dias de uma cimeira extraordinária que vai juntar os líderes europeus para discutir a situação da Grécia, Passos Coelho diz que é “impensável” não haver uma resposta concertada dos líderes europeus.”Seria impensável que, na área da moeda única, não houvesse uma resposta conjunta a tal situação. Uma resposta conjunta precisa de ser preparada pelos bancos centrais e pelo Banco Central Europeu.