O Egito poderá adotar medidas legais contra jornalistas que noticiem “falsos” balanços de soldados mortos em ataques, aponta a nova lei antiterrorismo do país, que deve ser promulgada nos próximos dias.

De acordo com indicações de dois responsáveis governativos à agência AFP, o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sissi, deve promulgar a lei em breve, e a mesma surge depois da morte recente do procurador-geral do país, Hicham Barakat, falecido na sequência de um atentado à bomba no Cairo.

O governo do Egito já aprovou o projeto da nova lei, e o conteúdo da mesma foi sendo transmitido em vários jornais.

O artigo 33 do texto prevê dois anos de prisão para quem “relatar informações falsas sobre ataques terroristas que contradigam as declarações oficiais”, e o ministro da Justiça do Egito declarou, sobre este tema, que uma cobertura “errada” da parte dos media sobre o número de mortes em ataques afeta a “moral do país”.

“O governo tem o dever de proteger os cidadãos de informações falsas”, continuou Ahmed al-Zind, acrescentando que esta nova lei não deve ser interpretada como um ataque à liberdade de imprensa.

Ahmed al-Zind deu como exemplo os ataques recentes na península do Sinai, onde nos últimos dias vários soldados egípcios foram mortos em ataques reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico, e onde foram várias as fontes a reportar diversos números de vítimas mortais.

O ataque ao procurador-geral do país, que ocorreu na segunda-feira, foi o mais violento contra um alto funcionário das autoridades judiciais do Egito desde que os jihadistas tentaram assassinar o anterior ministro do Interior num ataque suicida automóvel, no final de 2013.

O atentado foi reivindicado pela organização Ansar Beit al-Maqdis, com sede no Sinai, que jurou fidelidade ao Estado Islâmico.

Numa mensagem de vídeo divulgada recentemente, e na sequência do enforcamento de seis homens condenados por ataques, o grupo afirmou: “Por Deus, vamos procurar vingança para os nossos irmãos e outros como eles, contra o partido que os sentenciou, e contra o partido que implementou a sentença”.