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Caso José Sócrates

Rui Rio: “Se Sócrates é culpado? Eu acho que é. Mas fico a pensar se é justo”

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Sobre o caso Sócrates, Rui Rio critica sistema judicial por querer "concorrer com um jogo de futebol ou um reality show no sentido de aumentar as audiências televisivas e as tiragens dos jornais".

AFP/Getty Images

“Se me pergunta se o eng. Sócrates é culpado? Eu acho que é, mas dou comigo a pensar em casa muitas vezes se é justo eu pensar isso ou se eu próprio não estou a ser manipulado por violações do segredo de justiça que querem me levar para aí. Eu realmente acho que ele é culpado mas muitas vezes fico com problemas de consciência por achar que posso estar a ser manipulado”. As palavras são de Rui Rio, ex-deputado do PSD e ex-presidente da Câmara do Porto. Esta noite, em entrevista à RTP Informação, o social-democrata criticou o sistema judicial com palavras duras.

“O sistema judicial está mais empenhado em combater a corrupção, o que merece o nosso aplauso coletivo. Mas a forma como tem sido feita é altamente condenável. Não posso aceitar num Estado de direito e numa democracia que haja permanentes violações do segredo de justiça que são um crime à luz do direito penal e com isso conseguir julgamentos populares. É inadmissível e próprio de um regime totalitário. É contrário a uma democracia”, disse, acrescentando: “Não concebo como o sistema judicial quer ele próprio concorrer contra um jogo de futebol ou um reality show no sentido de aumentar as audiências televisivas e as tiragens dos jornais”.

Rio censura os “espetáculos mediáticos” de cada vez que há um interrogatório ou uma detenção e considera mesmo que a justiça “não se está a dar ao respeito” devido às fugas de informação.

“No caso de Sócrates, este nunca mais vai ser culpado ou inocente, vai ser parcialmente culpado ou parcialmente inocente. E a justiça colocou-se num patamar em que também vai ser julgada pelos portugueses”, prosseguiu Rio, estranhando que, ao fim de nove meses, ainda não tenha havido “uma acusação”. “Se vier a ser produzir uma semana antes das eleições obviamente que a justiça fica sob suspeita de estar a querer influenciar as eleições”, disse. Para o ex-autarca, não é compreensível que ao fim de 90 dias da detenção não haja “acusação formulada”.

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