Há pais “abismalmente” ignorantes e filhos que nascem a saber mexer nos iPads, uma situação que provoca um choque de competências que, por estes dias, dá que falar. O mau uso da Internet e das redes sociais pode significar um conjunto de perigos para os mais novos, sobretudo quando em causa estão pais que “usam e abusam” desse universo e que, consequentemente, podem não ser os melhores exemplos. Essas e outras ideias são discutidas por duas jornalistas e um psicólogo — Fátima Caetano, Rita Rebelo e Paulo Sargento –, um trio que se juntou para escrever o livro Ensine o seu filho a dizer não (Matéria-prima).

Tal como o título deixa perceber, a obra pretende ajudar pais e filhos a evitar as diferentes ameaças que esperam, à espreita, fora de portas — desde o bullying ao consumo de drogas e de álcool, passando ainda por distúrbios alimentares e pela violência no namoro. O livro compreende vários temas e, para cada um, traz a lume casos reais e apresenta os diferentes sinais a que todos os pais devem estar atentos. Mas mesmo perante tantos perigos, os autores dizem a uma só voz que é a Internet a ameaça mais atual e com a qual poucos sabem lidar — exemplo disso são as crianças que bem antes dos 13 anos, idade definida pelo Facebook para ter um perfil, navegam pela rede social à imagem e semelhança de um utilizador mais velho.

E como evitar que pais e filhos caiam nas armadilhas dessa teia virtual? É tudo uma questão de dizer “não”, ação tida pelos autores como um investimento parental:

“Temos dificuldade em dizer que não porque achamos que isso vai traumatizar a criança, mas vai traumatizar muito mais uma mão queimada ou uma queda das escadas abaixo. Dizer não’ na maior parte das vezes e quando é bem dito, é um ato de amor. Dizer sim é, às vezes, apenas um ato de extrema tolerância e desresponsabilização parental.”

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O livro aborda um conjunto de ameaças externas a que as crianças e os jovens estão sujeitos – perigos da Internet, bullying, violência no namoro, consumos ou distúrbios alimentares. Porquê esta seleção?
Fátima Caetano (FC)
: Estes temas são, sobretudo, os maiores desgostos dos pais. Os pais têm medo que os miúdos sofram de bullying na escola, têm medo das drogas, do consumo do álcool, do sair à noite, da Internet… às vezes, esse medo existe de forma exagerada. Portanto, todos os temas que estão no livro acabam por ser os que, nos dias de hoje, representam os maiores terrores.
Rita Rebelo (RR): Chegámos à conclusão de quais são os grandes riscos e ameaças que, hoje em dia, afetam as crianças, e são esses que estão no livro.

Que afetam hoje ou que sempre afetaram?
Paulo Sargento (PS)
: Sempre não, até porque nem sempre houve computadores. Mas se olharmos para os media e picarmos as notícias relacionadas com ameaças para as crianças e para os adolescentes, vemos que são mais ou menos estas. Por outro lado, em termos clínicos aparecem sempre muitas queixas relacionadas com isto. Este é um livro mais virado para os pais, até porque o estilo de parentalidade também mudou um pouco. Hoje somos pais um pouco mais velhos. Antes fazíamos filhos, plantávamos uma árvore e escrevíamos um livro. Agora, escrevemos a enciclopédia, plantamos uma floresta e, depois, aos 40 temos filhos. Há aqui alguns choques de competências, designadamente em respeito às novas tecnologias: temos pais abismalmente ignorantes com miúdos que já nascem a mexer nos iPads.

Como é educar hoje uma criança e como era há 20 anos? E, atualmente, quais são os principais desafios para os pais?
PS:
Não é tão difícil de educar como era, o problema é que é diferente. Quando nós dizemos que hoje nascem poucas crianças porque há poucas condições e porque é mais caro… Devo lembrar que quando houve mais crianças foi quando a humanidade teve menos meios, isto é, na revolução industrial. Mas aí o valor que estava associado a ter um filho era a riqueza braçal. Hoje não, hoje temos uma concepção completamente diferente, uma cultura de direitos – felizmente que a temos – e precisamos de condições prévias para ter um filho. Há uma coisa que é evidente na nossa espécie, ou seja, há pessoas que não têm competências parentais. A maior parte dos seres humanos tem boas competências parentais: uns acordam-nas com a cria e lá vão andando com naturalidade, outros têm dificuldade mas pedem ajuda e há ainda quem não tenha competências e só faça desgraças. Os que pedem ajuda são os ideais para ler este livro.

Ensine o seu filho a dizer não

Os autores do livro “Ensine o seu filho a dizer não”, Paulo Sargento, Fátima Caetano e Rita Rebelo / © Miguel Soares/Observador

Pegando no título, para que um filho saiba dizer não face a diferentes ameaças, os pais também têm de dizer não em casa. Isso não será tão fácil como parece…
PS:
Não é tão fácil nem é tão difícil, até porque dizer não faz parte não só do vocabulário, como é uma das primeiras coisas que as crianças dizem. O “não” é das coisas mais saudáveis que podemos ouvir, tem é de ser no sítio certo, no local certo. Porque o problema de dizer não, em termos de prática parental, é o facto de o usarmos excessivamente, de o usarmos em defeito ou, ainda, fora do contexto. Ao usarmos pouco estamos a limitar pouco, ou seja, dá pouco a conhecer à criança e, depois, ao adolescente. Parecendo que não, o adolescente deve ouvir mais “nãos” do que as crianças e, ao limitar pouco, abre-se um conjunto de saídas ilusórias que representam perigos. Já o uso excessivo é, digamos, a ditadura parental ou, então, a autocracia parental. Não é a autoridade, porque nós temos de ser autoritários — na democracia familiar temos os mais velhos, que mandam, e os mais novos, que obedecem. Agora, o “não” serve para limitar quando ele é necessário. Por exemplo, quando há um perigo iminente – onde há umas escadas, um lume ou uma lareira. Temos dificuldade em dizer que não porque achamos que isso vai traumatizar a criança, mas vai traumatizar muito mais uma mão queimada ou uma queda das escadas abaixo. Dizer não, na maior parte das vezes e quando é bem dito, é um ato de amor. Dizer sim é, às vezes, apenas um ato de extrema tolerância e de desresponsabilização parental.

Mas à medida que a criança vai crescendo não fica cada vez mais difícil negar coisas?
PS:
Com os adolescentes é muito complicado, por isso temos de usar o “não” mais vezes. Antes, havia a ideia de que nas práticas educativas e parentais tínhamos de ser mais rígidos na infância, mas não. O adolescente procura mais limites – volto a dizer que não é autocracia parental, é autoridade parental (autocracia é um poder por si só; autoridade é uma afirmação com o cuidado que é necessário ter). Educar não é introduzir coisa nenhuma em ninguém, é saber guiar, estabelecer limites claros.

É preciso que os pais tenham de explicar aos adolescentes os motivos associados ao não?
RR:
Eu acho que os pais, muitas vezes, não sabem bem o que explicar — e não é só por falta de tempo. Por exemplo, a questão do abuso sexual. Se calhar é difícil para um pai explicar a uma criança até onde é que esta deve deixar que entrem na sua esfera. Nós divulgamos os casos [reais], mas é preciso ensinar os pais. Há pais que acham que deixar os filhos crescer é deixar que estes façam o que quiserem. Vejo cada vez mais crianças assim. Conheço famílias nas quais são as crianças quem diz para onde é se que vai de férias.

Mas isso é depositar a responsabilidade na criança, certo?
RR:
Sim. Mas há muita tendência para os pais mais velhos fazerem isso.
PS: É a inversão perfeitamente bacoca dos processos de decisão. Quem decide é quem tem mais capacidade para. Se o meu filho com dez anos me pede para conduzir o carro — e se eu o deixo –, estou a ser um completo irresponsável. Para já estou a praticar um ato ilegal e, depois, estou a ser um completo irresponsável sob o ponto de vista da educação porque não estou a transmitir que aquilo não se faz. Estou, ao invés, a transmitir que aquilo faz-se às vezes. Posto isto, o nosso comportamento é uma coisa terrível, porque se a gente faz uma vez e não há consequências, aquilo deixa de ser proibido para ser a perfeita normalidade e algo até desejável. Portanto, cabe a quem é mais velho e a quem tem mais experiência decidir.

No livro lê-se a seguinte frase: “Aprenda a dizer não sem problemas de consciência”. Isto é possível?
PS:
Quando o “não” é utilizado em prol da proteção, do carinho e da promoção gradual de autonomia, é absolutamente essencial. É um ato de amor.
RR: Dizer que sim “só daquela vez” pode criar um problema grave para o futuro. Muitos dos casos [reais] que temos no livro resultaram não só, mas também, por falta de “nãos”. Mas acho que também é o não querer ver. Em muitos casos ligados, por exemplo, ao consumo de álcool e de drogas, os pais não querem ver alguns dos sinais e encaram-nos como parvoíces da adolescência, da idade do armário. Isto é, relativizam muito. Não só não querem ver, como não têm a capacidade de dizer não na altura certa e, depois, isso vai trazer consequências no futuro.
PS: Dizer não é um investimento. Nós fazemos investimento parental em nome da espécie. Isso é que é seremos bons pais. É tentar preservar várias crias até um estado de maturidade… O António Aleixo tinha uma frase muito bonita sobre a educação: “Educar alguém é, sobretudo, ensinar alguém a tomar conta de si próprio.” Portanto, enquanto alguém não sabe tomar conta de si próprio…

As pessoas, hoje em dia, estão preparadas para serem pais?
PS:
Eu sou um otimista. Eu acho que sim, que a maior parte está — aquela que se sente mais insegura está hoje mais desperta para procurar ajuda. Quando eu, pai, tenho dificuldades e não peço ajuda — seja por vergonha, medo ou preconceito –, isso é que é terrível, uma vez que continuo no erro e na asneira. Hoje em dia, estamos a tentar mudar um pouco o mito do herói. O mito do herói muito neoliberal que nós temos estado a promover é aquele que derruba adversários para chegar a um determinado fim, é uma perspetiva maquiavélica. É um pouco a questão do “se o fim for só ter a boa nota, então eu faço de tudo para o conseguir, mesmo que aldrabe”. O mito do herói deve mudar para um herói mais construtivo, aquele que conquista amigos, o solidário, o que partilha.

O amor é uma coisa muito complexa. O amor não pode colocar em risco a vida das pessoas, nem a vida social. O amor é a abnegação, temos de estar completamente disponíveis, sem perder o norte de quem somos… O amor paternal é isto, a abnegação, mas nem isso nem a disponibilidade podem ser confundidas com a falta de coragem ou de tacto para guiar. Sou contra qualquer violência em relação à criança, mesmo contra a chamada palmada pedagógica — não sei o que isso é. É óbvio que nós, às vezes, temos de fazer confrontação física com os miúdos. Quando os adolescentes ganham força e nos confrontam, já as coisas estão mal, já houve um limite muito claro que foi ultrapassado.

Dos problemas que decidiram analisar no livro, qual consideram ser a ameaça mais atual?
PS: As redes sociais.

Algumas regras para uma utilização segura da Internet por parte dos seus filhos:
– coloque os computadores com acesso à Internet num local central da sala, para que, quando os seus filhos estiverem ligados à net, possam vigiá-los;
– estabeleça horários específicos para estarem ao computador e na Internet;
– bloqueie os sites que contêm conteúdo desaconselhado a crianças;
– utilize a Internet na companhia dos seus filhos, ajude-os nas pesquisas, nos trabalhos da escola, etc.;
– ensine os seus filhos a preservar a sua privacidade quando estão online;
– impeça os seus filhos de utilizarem os serviços de mensagens instantâneas, correio eletrónico, salas de chat ou redes sociais até que tenham maturidade para isso.

(Ensine o seu filho a dizer não, pág. 25 e 26)

Durante todo o livro é notória a ténue relação entre a preocupação de um pai e a privacidade de um filho, sobretudo no que diz respeito à introdução dos mais novos no mundo virtual.
PS:
Os pais são leitores de competências. Se a criança já é capaz de fazer algo e o pai continua a lá estar… então, está lá a fazer o quê? Mas se a criança ainda não é capaz e o pai não está presente, está-se a cometer um erro ainda maior. É claro que os miúdos começam a querer afastar-se dos pais desde muito cedo, mas devemos afastar-nos a partir de certos sinais que nos permitam perceber se a criança já tem, ou não, independência para fazer determinada coisa. Enquanto isso não acontecer, é arriscado afastarmo-nos.
RR: Os miúdos já nascem com o tal chip tecnológico — parece que já nascem ensinados. Qualquer criança antes dos 10 anos tem um perfil de Facebook e existem perigos associados a isto. O segredo está, essencialmente, em saber responsabilizar e vigiar. Eu acho que esse [a internet e as redes sociais] é um dos maiores riscos da atualidade. Além disso, as crianças já não brincam umas com as outras, já não socializam ou têm amigos reais. Isto pode levar a uma distorção dos valores.
PS: Já alguém definiu a adolescência como uma situação de conflito entre um ardente desejo de autonomia e um sentido pesadíssimo de dependência. O diálogo mais usual passa por “eu quero fazer o que me apetece” e “então, vai trabalhar”. A adolescência é uma época completamente diferente — o adolescente acha sempre que descobriu a pólvora — que é preciso respeitar. Em relação às tecnologias… eu não as diabolizaria. As tecnologias, sobretudo as de comunicação, têm muito mais benefícios do que malefícios – os carros têm muito mais benefícios do que malefícios, mas há pessoas aí a bater com eles. Muito do que se tem falado é sobre o uso patológico das tecnologias ou das redes sociais… Acho que o Facebook, como ferramenta aberta, é como um carro familiar e é preciso considerar a diferença entre quem conduz e quem tem carta. O adolescente deve transgredir, devemos deixá-lo fazer porcaria, mas não muita; o risco faz parte da adolescência, mas julgo que o Facebook, como qualquer ferramenta aberta em termos de comunicação, deve ser gerida por um adulto. Exemplo disso é a partilha de passwords. Mas é preciso que os adolescentes tenham alguma intimidade porque só assim é que eles crescem.

Para que o seu filho utilize o Facebook de uma forma mais segura e responsável, explique-lhe:
– que deve escolher bem as informações que partilha e as pessoas com quem partilha;
– como funcionam as definições de privacidade;
– a forma como os outros utilizadores veem o perfil dele;
– que antes de publicar algo deve confirmar nas definições com quem vai partilhá-lo: se é com «Amigos», «Amigos dos Amigos», «Público», etc.;
– que nunca deve partilhar a password com ninguém;
– como é importante não revelar onde está, onde vive ou onde estuda;
– que nunca deve adicionar alguém que não conhece pessoalmente.

(Ensine o seu filho a dizer não, pág. 41 e 42)

O livro dá dicas para introduzir as crianças neste universo. Mas e os pais, será que eles também precisam de ajuda neste domínio?
RR:
Às vezes são os próprios pais que não estão preparados para introduzir o filho na Internet, porque são eles quem abusa das redes sociais. Exemplo disso é o pai que está no restaurante, sentado com os filhos na mesa e a brincar com o Facebook em vez de comunicar com a família. Que exemplo é que pode dar? O exemplo tem de vir de cima.
PS: Depois, há o efeito saturação: “Só para não te ouvir a fazer barulho, toma lá o iPad”. Mas o problema não é a tecnologia, e sim o uso que se faz dela, sobretudo a forma como os adultos a gerem. A maior parte dos jogos tem interatividade e há jogos bons e jogos maus. O problema não está nas tecnologias, como não está no avião que cai, mas no uso que se faz. Há uma geração que usa e abusa das redes sociais.

Porque é que acham que isto acontece?
PS:
Uma vez vi uma coisa caricata: era um pai, uma mãe e o respetivo filho, cada um com o seu telemóvel, a mandar mensagens à mesa do restaurante. Não falaram durante o jantar todo. Neste caso, isto é claramente patológico. Há 25 anos tínhamos a perceção de que o mundo virtual refletia o real. Um exemplo claro disso era irmos a um motor de busca e pesquisar os temas “sexo” e “Deus” — havia mais sites com referências a Deus do que a sexo, tal como havia mais igrejas do que casas de prostituição. Hoje, sites ligados à violência e ao sexo cresceram de uma forma desmesurada. Eram questões que existiam, mas que estavam localizadas e que hoje já não estão. Outro exemplo é o ciberterrorismo. O mundo virtual criou uma nova dimensão que está a atacar o mundo real e só um terço da população mundial é que tem acesso a computadores. É muito difícil perceber no que é que isto vai dar.

Existe uma idade limite para que uma criança se inicie na utilização da Internet e das redes sociais?
PS:
[A criança pode iniciar-se nesse universo] com qualquer idade desde que seja acompanhada

Isso também se aplica se a mesma criança tiver, por exemplo, quatro anos?
PS: Se estiver acompanhada, porque não? Antes também se dizia que os meninos não podiam ver televisão, que isso fazia mal à cabeça, e era mentira. Uma rede social autónoma destinada a uma criança é um conceito que não existe. Podemos ir buscar filmes e jogos engraçados à Internet para ver e jogar com os miúdos — o problema aqui é quem é que guia quem. A família, tal como a gente a concebe, é um conjunto de pessoas que se une por laços de vínculo afetivo e por um determinado interesse em comum, o qual tem um efeito pirâmide (há alguém que representa esse interesse comum, seja quem for, alguém mais velho que é seguido pelos mais novos). Os miúdos podem ir à Internet, podem ter um perfil de Facebook com os pais… O importante é ter um limite, uma definição de até onde uma criança pode ir, limite esse que é dado pelas práticas educativas. Você deixaria o seu filho atravessar uma estrada sem lhe dar a mão? Então, porque o deixa atravessar sozinho um autoestrada de informação como a Internet?

Existe vício da Internet e das redes sociais?
PS: Sim. Há dois estudos, um de 2013 e outro de 2014, que mostraram que as áreas do cérebro ativadas de algumas crianças quando estavam a jogar eram as mesmas que se ativavam perante o consumo de drogas e de álcool… É um outro tipo de adição. A ressaca ou a abstinência também é muito semelhante e inclui irritabilidade e suores.
RR: Hoje em dia, as crianças/adolescentes gerem os sítios que frequentam em função do wi-fi. É um drama. Não estar conectado é um drama.
PS: Já tive alguns casos de adolescentes viciados. Tiveram de fazer um desmame muito semelhante ao de outras adições.

O que pode provocar a adição à Internet ou aos videojogos?
– a falência das relações sociais, uma vez que os jovens passam horas intermináveis ao computador mesmo que não tenham ninguém  com quem falar;
– a deterioração dos ritmos funcionais, sobretudo dos ritmos de sono, com importantes repercussões, nomeadamente nas áreas funcionais da vida académica e social de um adolescente;
– problemas nas relações familiares, porque este é um problema que vai necessariamente provocar conflitos ou desconforto no seio da família.
(Ensine o seu filho a dizer não, pág. 35)

Quais são os sintomas de uma criança/adolescente que está a entrar numa fase perigosa de adição?
PS: O número excessivo de horas e o tipo de comportamento quando não pode utilizar a Internet.
RR: Isto do número de horas depende diretamente do controlo dos pais…
PS: Ou seja, a irritabilidade, os suores, tudo o que é típico da ressaca. Duas pistas muito simples: se o número de horas é excessivo e se a criança vai de férias e, não levando o computador, não sabe o que fazer e anda irritado, mal disposto, dorme muito ou dorme pouco.

De que forma é que as redes socias podem interferir negativa ou positivamente no crescimento de um adolescente?
RR:
Nas redes sociais cultiva-se um pouco a nossa personalidade, só colocamos as nossas melhores fotografias. Os adolescentes perdem muito tempo no Facebook, que antes talvez fosse ocupado a brincar, a estudar ou em serões com a família. O Facebook também é o bisbilhotar a vida dos outros. E quem tem mais likes é melhor… Aquilo estimula o adolescente. Agora, nas redes socais, podemos ser quem quisermos.
PS: Mas o adolescente tem de comunicar. Nós também escrevíamos cartas e/ou passávamos horas ao telefone. O adolescente não pode é ficar completamente ligado ao objeto de comunicação. Isso é perverso ou fetichista. Uma coisa é ele ter ânsia de comunicar… Aliás, vedar a comunicação ou o acesso aos meios tecnológicos é uma estupidez. É preciso haver um controlo para ver quando é que isto representa um perigo.