Marcelo Rebelo de Sousa, um dos nomes mais falados para avançar com uma candidatura à Presidência da República nas eleições de 2016, comentou este domingo o anúncio de Pedro Santana Lopes de que não iria ser candidato a Belém.

“Ele tinha de fazer uma escolha difícil e foi muito persuasivo” nas explicações que deu, afirmou o ex-líder do PSD. E as explicações dadas por Santana Lopes deixaram Marcelo “convencido”.

Às razões invocadas por Santana Lopes, Marcelo destacou duas — o trabalho importante que tem na Santa Casa da Misericórdia e o “não” que ouviu da família — e acrescentou uma terceira.

“O perfil constitucional de Presidente da República, como ele confessou, não corresponde ao perfil que ele defende. Era preciso mudar a Constituição, defende um Presidente mais presidencialista.”

Para ter poderes diferentes e acrescidos aos que agora são permitidos, teria, por isso de haver uma alteração constitucional que necessita de uma aprovação por parte de dois terços dos deputados da Assembleia da República. “Vai ser difícil haver um acordo para governar e muito mais difícil será encontrar acordo para rever a Constituição, para mudar o estatuto do Presidente”, explicou Marcelo Rebelo de Sousa, no habitual comentário semanal na TVI.

Quanto à sua decisão — avançará ou não para Belém? — Marcelo Rebelo de Sousa falou sem generalizar das “dificuldades semelhantes” que todos os eventuais candidatos vão ter para fazer uma escolha definitiva. “Os eventuais candidatos do centro-direita terão exatamente mesmas dificuldades [trabalho, família e perfil]. Hão de ponderar e decidir em tempo oportuno. Assim como ele ponderou e decidiu, os outros hão-de decidir.”

E quando chegar a hora de Marcelo, fará o devido anúncio: “Direi, mas não aqui na TVI”.

“Meter Sócrates na campanha é um risco para o PSD”

Marcelo Rebelo de Sousa comentou também as declarações de Paulo Rangel avisando que é “um risco para o PSD” trazer José Sócrates para a campanha. Recordando que dia 9 de setembro o antigo primeiro-ministro vai ver revista a medida de coação que o mantém preso preventivamente, o comentador político explicou melhor o que queria dizer: “Se Sócrates sair e fizer declarações, é uma coisa. Outra é ser a coligação a levantar a questão. Porque isto une o PS e legitima a tese de Sócrates de vitimização partidária”.