Nos anos 2000, nos Estados Unidos, a comunidade médica agradeceu a Carrie Bradshaw pelo boom de depilação brasileira e a consequente quase-extinção dos piolhos púbicos. Mas 10 anos depois a cera ganhou terreno de tal maneira que os médicos sentem necessidade de lembrar que “o pelo está lá por alguma razão”.

O melhor será provavelmente fazer como os manequins que apareceram nas montras nova-iorquinas da American Apparel em 2014, com umas virilhas — e não só — a sobressair por baixo da lingerie.

Mais curvo e grosso do que noutras zonas do corpo e compreende-se a dádiva da mãe natureza no que toca à pilosidade genital, já que esta área está exposta a doenças sexualmente transmissíveis ou simplesmente à fricção do dia a dia que pode irritar a pele.

“Se se usar o preservativo corretamente e se se mantiver o pelo púbico, o risco de contágio é quase zero”, diz o dermatologista Ramón Grimalt, da Academia Española de Dermatología y Venereología (AEDV), ao espanhol ABC. Grimalt explica que, por causa da moda da depilação total não só nas mulheres mas também nos homens, os médicos assistem impotentes ao aumento de condilomas — verrugas na zona genital — causados pelo vírus do papiloma humano (HPV).

“Se duas pessoas têm a púbis sem pelos, qualquer infecção que esteja na pele de um deles passará inevitavelmente para o outro”, explica o especialista, aconselhando a que a depilação seja apenas nas zonas laterais, isto é, nas virilhas.

Ainda assim será um mal menor, porque até aí se podem gerar complicações. Depois de ser arrancado com cera, por exemplo, o pelo tem que vencer a resistência da pele durante o crescimento e reaparecer é especialmente difícil se a pele não estiver hidratada e for grossa. Não há como ser mais direto: é um pelo encravado.

Um pelo que continua a crescer dentro da derme pode infectar e provocar um quisto, sendo necessária uma pequena cirurgia para limpeza, em casos extremos. Todo o processo pode também acontecer quando a depilação é feita com uma lâmina e o pelo fica com um corte muito afiado, perfurando a pele.

Até agora, a depilação a laser é a melhor solução: como idealmente elimina o folículo, o pelo não torna a crescer. Mas, mais uma vez, a pele genital, especialmente sensível, fica desprotegida e pode facilmente ficar irritada e ferir-se, com a permanente fricção na roupa, muitas vezes sintética, e o contacto sexual.

Como muitos estudos já concluíram, o sexo é a razão que mais motiva a depilação genital nas mulheres. E quando se fala do par sexo + pelos nunca é demais voltar a citar a série Sexo e a Cidade e relembrar o tempo em que Samantha se preocupava em manter a naturalidade e juventude dos seus pelos púbicos, ao invés de matar o mal pela raiz. Afinal, é isto que os médicos aconselham.