Faltavam poucos dias para chegar aos 10 meses: até esta sexta-feira, José Sócrates era o único arguido da Operação Marquês com a medida de coação mais grave – prisão preventiva. O ex-primeiro-ministro abandonou hoje o Estabelecimento Prisional de Évora, depois do juiz Carlos Alexandre ter alterado a medida de coação, cinco dias antes do prazo limite para a revisão da mesma.

E os restantes arguidos?

Armando Vara

O ex-ministro socialista foi detido para interrogatório, em julho deste ano, suspeito de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais. O ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos passou a noite no Comando Metropolitano de Lisboa para depois ser levado para o Tribunal Central de Instrução Criminal. Mais tarde, Carlos Alexandre decide-se pela prisão domiciliária com vigilância eletrónica. Vara foi o nono arguido (e o último, até agora), neste processo. A sua medida de coação deverá ser revista em outubro.

Carlos Santos Silva
O amigo de José Sócrates é um dos arguidos em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, indiciado de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção. O ex-administrador do Grupo Lena esteve em prisão preventiva de 24 de Novembro de 2014 a final de maio deste ano. Carlos Alexandre decidiu alterar a medida de coação e Santos Silva está em casa desde o final da tarde de dia 22 de Maio. Em agosto, foi altura de Carlos Alexandre rever a medida de coação de Santos Silva, e o juiz decidiu manter o amigo de Sócrates em domiciliária.

Joaquim Barroca
O Administrador do Grupo Lena saiu em liberdade em julho, depois de ter permanecido em prisão domiciliária com pulseira eletrónica desde abril de 2015. Barroca pagou uma caução de 400 mil euros para ficar em liberdade. Indiciado por crimes de corrupção ativa, branqueamento de capitais e fraude fiscal, Barroca foi detido em abril de 2015, depois de buscas feitas à sede do grupo, em Leiria. Inicialmente, ainda ficou em prisão preventiva no Hospital-Prisão de Caixias devido de problemas cardíacos.

João Perna
Em fevereiro deste ano o ex-motorista de Socrátes, indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, viu a sua medida de coação ser alterada para liberdade provisória. Perna passou a ser obrigado a fazer apresentações semanais às autoridades e está proibido de viajar para fora do país e de contactar os restantes arguidos. João Perna foi detido no final de novembro de 2014 e esteve cerca de um mês em prisão preventiva nas instalações da Polícia Judiciária, para depois regressar a casa com pulseira eletrónica, durante mais ou menos um mês.

Gonçalo Trindade Ferreira
Detido na mesma altura que José Sócrates Carlos Santos Silva e João Perna, o advogado é indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, e foi o único arguido a sair em liberdade logo em novembro. Está proibido de contactar com os outros arguidos e de sair do país. Deve ainda apresentar-se, bimestralmente, às autoridades.

Paulo Lalanda e Castro
O administrador da farmacêutica Octapharma foi constituído arguido no âmbito Operação Marquês em final de fevereiro deste ano, depois de ser ouvido pelo procurador Rosário Teixeira.  Lalanda e Castro é suspeito de fraude fiscal e branqueamento de capitais. O administrador da multinacional onde Sócrates trabalhou como consultor ficou sujeito a termo de identidade e residência.

Inês Pontes do Rosário
A mulher de Carlos Santos Silva foi a sétima pessoa a ser constituída arguida no caso, em abril de 2015 e, como Lalanda e Castro, tem a medida mais leve: termo de identidade e residência. Inês do Rosário é suspeita de ter entregue mais de 120 mil euros em notas, durante oito meses, que tinham como destino o ex-primeiro-ministro.

Diogo Gaspar Ferreira
O oitavo arguido é o presidente da empresa gestora de Vale do Lobo, o resort algarvio – negócio a que Armando Vara deverá ter estado ligado quando ainda era administrador da CGD. O empresário foi interrogado pelo DCIAP a 12 de Junho a pedido do próprio e ficou com termo de identidade e residência.