O Syriza de Alexis Tsipras continua a liderar as sondagens para as eleições que acontecem no próximo domingo. Mas a vantagem reduziu-se nas últimas semanas e os eleitores parecem estar – sobretudo depois do debate da semana passada – a apreciar cada vez mais o estilo de Evangelos Meimarakis, o veterano da política grega que substituiu interinamente Antonis Samaras na liderança do Nova Democracia e que, agora, arrisca vencer as eleições. Se isso acontecer, contudo, Meimarakis já disse que vê com bons olhos um acordo com o Syriza para que os partidos mais votados possam cumprir o terceiro resgate.

“Tentarei assegurar que existe estabilidade política, consenso e cooperação”, afirmou Meimarakis numa entrevista publicada este domingo no jornal grego Kathimerini. Se vencer as eleições, o líder do Nova Democracia garante que irá “tentar criar um governo de cooperação nacional que tenha uma longa vida, em que participarão tantos partidos quanto for possível”.

E qual é o único requisito para participar nesta grande coligação idealizada por Meimarakis? “Todos os partidos que acreditem que o país deve permanecer na zona euro”, explica o líder do Nova Democracia. Prometido, caso o partido vença, está um “governo composto pelas melhores pessoas disponíveis, não apenas dos partidos mas, também, de outras áreas da sociedade, dos mercados e das instituições”.

Alexis Tsipras tem rejeitado esta hipótese durante a campanha, ciente de que isso poderá afastar algum do seu eleitorado. Mas o que as sondagens demonstram é que um número crescente de gregos parecem apreciar a “inteligência emocional e o bom senso” de Meimarakis, afirma Dimitris Kerides, analista político citado pelo The Guardian. O líder do Nova Democracia está a conseguir “apelar às várias fações do partido, movendo-se para o centro e, assim, atrair uma audiência mais vasta”, acrescenta o especialista.

Os socialistas PASOK, pela voz da sua líder, Fofi Gennimata, já veio concordar que um futuro governo na Grécia deve incluir “todos os partidos” pró-europeus, ficando de fora partidos como o Aurora Dourada, os comunistas do KKE e a Unidade Popular, o partido recém-criado pelos rebeldes do Syriza que querem a saída do euro.

Estratégia ou convicção?

Seja uma estratégia política ou, realmente, uma convicção de que apenas um “governo de equipa nacional” poderá salvar a Grécia como membro da zona euro, a verdade é que Meimarakis tem subido nas sondagens.

Uma consulta divulgada na sexta-feira pela Universidade da Macedonia colocou o Nova Democracia com 19% e o Syriza com 20% das intenções de voto. Uma outra sondagem, da Palmos Analysis, deu 23,7% aos conservadores do Nova Democracia e 24,9% ao Syriza.

Recorde-se que, em julho, uma sondagem deu uma vantagem de 25 pontos percentuais ao Syriza, com Alexis Tsipras a reunir 42% das intenções de voto. Esta discrepância face aos resultados que estão agora a sair nas sondagens ilustra a aparente recuperação impressionante liderada por Evangelos Meimarakis, um homem alto, que usa bigode, que está determinado em liderar um governo que chegue ao fim do mandato na Grécia, o que não acontece desde 2009.