Alekos Flambouraris, antigo ministro de Estado de Alexis Tsipras e considerado o mentor do Primeiro-Ministro demissionário, está sob suspeita de conflito de interesses num contrato público de 3,9 milhões de euros. O contrato foi entregue em maio, quando ainda era ministro, à construtora que ele próprio fundou.

A notícia é do jornal grego Proto Thema (em versão inglesa) e está a abalar a semana que antecede as eleições gregas. Segundo a publicação, a empresa Diatmisi S.A., na qual Flambouraris detém 50,01% das ações, ganhou o concurso público em maio deste ano, quando Alekos Flambouraris era ministro. Isto numa altura em que o governo suspendeu quase todos os contratos de obras públicas, devido à crise financeira.

Mais: o jornal lembra que a situação fiscal da empresa não é transparente, já que desde 2002 que não apresenta a declaração fiscal que prova que tem a situação regularizada, obrigatória para vencer concursos públicos.

O combate à corrupção foi uma das bandeiras do partido grego. À estação pública ERT, Alekos Flambouraris desvalorizou a situação e nega conflito de interesses. “Tendo uma empresa e construção e trabalhar diariamente, vivi sem tirar um dracma ao partido“, disse.

Entretanto, esta quarta-feira esclareceu que o concurso foi ganho pela empresa em novembro de 2014. Apenas o contrato foi assinado em maio. E diz também que, em janeiro, quando foi apontado ao cargo, demitiu-se do conselho de administração e transferiu as ações. De acordo com o jornal, a transferência não é válida.

“Os ministros não devem estar envolvidos em negócios do setor público… É uma questão ética”, disse ao Financial Times o antigo ministro adjunto das Finanças, Dimitri Mardas. Stravros Theodorakis, do partido To Potami, vai mais longe e acusa vários membros do Syriza “próximos de Tsipras” de terem manipulado concursos públicos nos dias que antecederam a dissolução do parlamento.

É a primeira vez que um membro do Governo Syriza é acusado de conflito de interesses. As eleições são no domingo e, de acordo com as sondagens publicadas domingo nos jornais gregos, o Syriza e o Nova Democracia estão em empate técnico. Ambos estão, também, longe de uma maioria absoluta. A polémica pode afetar as intenções de voto no Syriza.

Na origem das eleições está a cisão de vários membros do Syriza para um novo partido, Unidade Popular (Laiki Enotita – LAE). Alexis Tsipras demitiu-se do cargo de primeiro-ministro e luta agora por uma eleição que lhe garanta apoio e legitimidade para governar.