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Francesca Bria: a relação entre tecnologia e democracia e o dinheiro digital

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A tecnologia veio ampliar e fortalecer a relação das pessoas com os movimentos sociais e com a política e isso é determinante para o futuro da democracia. Francesca Bria explicou-nos porquê.

Francesca Bria pensa à velocidade que fala. De origem italiana, doutorada em Empreendedorismo e Inovação pelo Imperial College de Londres, é a voz e o rosto de um mundo em rápida mudança e a líder do D-CENT, um projeto europeu da Nesta — a Agência para a Inovação do Reino Unido — que se dedica ao estudo dos movimentos sociais e à relação entre tecnologia e democracia. Ajuda-os a pensar e a construir a próxima geração de ferramentas e infraestruturas democráticas para fortalecer as novas forças políticas do séc. XXI.

A investigadora esteve em Portugal na conferência “Admirável Mundo Novo” organizada pela FFMS, onde participou no painel “República Digital”. Em entrevista ao Observador, começou por explicar em detalhe do que se trata, afinal, o projeto D-CENT.

O projeto D-CENT não se limita a estudar os processos de inovação tecnológica relacionados com os movimentos sociais, a equipa de Francesca Bria participa ativamente nesse sistema. Desenvolvem e testam ferramentas open source (software livre) porque acreditam que é a única maneira de garantir que a informação circula de forma livre, fora do controlo das grandes corporações e empresas. Descentralizar é uma palavra de ordem.

Francesca Bria defende o conceito de “inteligência coletiva”, não só no sentido em que muitas cabeças pensam melhor que apenas uma. Aliás, defende que a informação está cada vez mais dispensa e a ação coletiva é fundamental para agregar o conhecimento. É uma mudança que está a acontecer em grande escala, um processo imparável que conta com um aliado que é, ao mesmo tempo, uma ameaça: a tecnologia. Afirma que precisamos de “exigir à Europa que invista em formas de tecnologia livres, públicas e democráticas para o futuro. Se isto não acontecer, o que prevalece é o interesse do status quo, das posições privilegiada, das grandes empresas, dos governos que não querem mudar.”

A investigadora italiana tem formação superior de base em ciências sociais e em economia da inovação, é doutorada em Empreendedorismo e Inovação pelo Imperial College de Londres e mestre em E-business and Innovation (Negócios Electrónicos e Inovação). Foi inevitável tocar num assunto que domina e que faz questão de manter em discussão: o dinheiro digital. No futuro, vamos precisar de modelos alternativos ao sistema monetário e económico tradicional. Falou, claro, sobre o Bitcoin, mas o que interessa a Francesca Bria não é tanto o valor, mas o modelo tecnológico que produz esta moeda digital.

Para uma análise mais aprofundada deste e de outros temas, recomendamos a leitura da transcrição integral da entrevista a Francesca Bria, no documento em anexo.

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