Nino Esposito e Roland Bosee são um casal há mais de 40 anos. São também pai e filho, legalmente falando. Há alguns anos, Nino adotou o companheiro para que tivessem um vínculo legal. De outra forma, em caso da morte de um deles, o outro não teria direitos de herança nem direito a tomar decisões médicas no lugar do outro. A adoção era “a ligação mais legítima que podíamos ter”, esclareceu Roland.

Hoje Nino tem 78 anos e Roland tem 68. Os dois pretendem casar. O desejo vem desde maio de 2014, ano em que a Pensilvânia, estado de origem do casal, legalizou o casamento homossexual. Mas a vontade aguçou-se com a legalização do casamento homossexual em todos os Estados Unidos, em junho deste ano. “Nunca pensámos que ia chegar este dia”, confessou Nino.

Agora, Nino e Roland querem anular a adoção, visto que “pai e filho” não podem casar. O pedido chegou a um Tribunal do Estado e foi rejeitado, com o argumento de que “a anulação de adoções está limitada às situações de fraude”, esclarece a CNN.

Este não será caso único. De acordo com a American Civil Liberties Union (ACLU) da Pensilvânia, um grupo de direitos cívicos que apoia o casal, vários casais homossexuais decidiram mentir e avançar para a adoção para que fossem considerados legalmente como uma família e pudessem proteger as relações. 

Perante a rejeição da anulação, Witold Walczak, diretor da ACLU da Pensilvânia, não acredita que a decisão do juiz tenha sido feita de má vontade, mas antes por não haver um caminho legal para a situação naquele tribunal. “A ACLU tem esperança que o Tribunal Superior aplique os princípios jurídicos estabelecidos para permitir a anulação das adoções entre casais do mesmo sexo para que possam usufruir do direito constitucional de se casarem”, explica Walczak.

Os advogados de Esposito e Bosee anunciaram que vão pedir ajuda ao Departamento de Justiça americano. A ideia é insistir que os clientes têm “direitos civis” neste caso. “Os benefícios pessoais e sociais do casamento são incomparavelmente superiores a qualquer outra associação entre indivíduos que a nossa sociedade reconhece formalmente”, argumentam os representantes. Uma porta-voz do Departamento diz que estão a analisar a questão. Esposito e Bosee garantem que estão preparados para casar no mesmo dia em que a adoção for anulada.