Porquê adiar mais? Foi com esta interrogação, dirigida ao Presidente da República, que o secretário-geral do Partido Socialista António Costa iniciou a intervenção num encontro com militantes do partido em Setúbal. Porquê adiar mais, se “já todos disseram que PS, Bloco de Esquerda, PCP e PEV asseguram a um governo do PS condições de governabilidade. Por isso, não há razões para adiar mais aquilo que resulta claramente da Constituição, que é dar posse a um governo que tem suporte maioritário na Assembleia da República”.

Ou seja, para António Costa, não há um problema de legitimidade, nem de impasse político, nem de natureza constitucional, que tenham de ser avaliadas ou invocadas por Cavaco Silva para dar posse ao seu Governo – menos ainda para escolher a via de um governo de gestão. 

No entanto, Cavaco Silva relembrou, esta semana, que ele próprio esteve 5 meses como primeiro-ministro em gestão. Mas para o líder socialista não há comparação possível entre essa e outras crises políticas, e a que se vive atualmente: 

Em 1987, o governo caiu em abril, e portanto o orçamento já tinha sido aprovado e estava em plena execução. Em 2004 o Presidente da República Jorge Sampaio teve aliás o cuidado de só dissolver a Assembleia da República depois de a Assembleia ter aprovado o orçamento para 2005. Ora, hoje nós não temos orçamento para 2016 e um governo de gestão não pode sequer apresentar à Assembleia da República uma proposta de orçamento”.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Por tudo isto, para António Costa um governo de gestão não faz sentido. Bem como uma revisão constitucional para convocar novas eleições, aproveitando para apontar baterias ao PSD:

Festejaram imenso. Tinham ganho as eleições. Então e agora as eleições já não lhes servem? São precisas outras? Mas quando é que nós paramos de ter eleições? Só quando o resultado convier ao PSD. Não, não é assim que funciona a democracia”.

Depois culpabilizou a própria coligação Portugal à Frente pelo impasse político por, e como diz a TSF, não ter conseguido atingir a maioria absoluta nas eleições legislativas – e por estar de “cabeça perdida”, recorrendo a insultos e ataques pessoais.