O projeto está há muito pensado: desde 2002 que a norte-americana Aerion quer construir um avião supersónico. Aliás, a empresa nasceu com esse intuito. Mas esta segunda-feira o seu líder, Robert Bass, anunciou em Las Vegas que o projeto vai mesmo avançar, afirma o jornal El País. O primeiro protótipo do modelo sucederá ao famoso Concorde (que deixou de ser utilizado em 2003) e deverá estar pronto em 2021. E as primeiras vendas do avião, que será vendido como jato privado, começarão dois anos depois, se forem cumpridos os prazos de certificação do modelo Aerion.

O custo assustará muitos: cada avião será vendido ao preço de 113 milhões de euros. Mas não assustou a Flexjet, uma empresa que fornece aviões, e que já se comprometeu a comprar 20 aparelhos Aerion. Isso ainda não chega, contudo: para ser um projeto viável, o modelo terá de atrair a atenção de outras companhias aéreas. O grande desafio será, portanto, demonstrar que a produção de um avião supersónico pode ser um modelo rentável: e não apenas um negócio destinado a um pequeno nicho de milionários.

O avião, que será construído em parceria com a Airbus, terá uma velocidade Mach de 1.5, isto é, uma velocidade 1.5 vezes superior à velocidade do som. O seu design será semelhante ao do antecessor Concorde. Terá as asas construídas em fibra de carbono, e uma cabine com espaço para acomodar entre oito a 12 pessoas, entre muitos outros componentes.

A montagem final do avião, que ficará a cargo da Aerion, será feita num complexo com 40 hectares, que começará a ser construído em 2018. A ideia é construi-lo num aeroporto que tenha uma zona reservada, que permita a realização de voos supersónicos, e que esteja situado preferencialmente perto do mar: isso permitiria que os grandes componentes do avião, que serão fornecidos pela Airbus, pudessem ser transportados de barco.

O Aerion deverá conseguir realizar voos entre as duas costas do Atlântico em apenas quatro horas. Uma viagem entre Paris e Washington, por exemplo, demorará apenas 4h48m. Ou seja, menos três horas que os atuais aviões, com uma velocidade inferior à velocidade do som.