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Em 2013 e 2014, a Comissão Europeia terá mantido relações próximas com a indústria petrolífera norte-americana e empresas de energias fósseis europeias de modo a perceber se seria possível a exportação de petróleo dos EUA para a União Europeia. Para além de reuniões, a Comissão terá passado informação privilegiada sobre o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) para estas empresas.

O jornal britânico Guardian teve acesso a documentos de preparação das negociações do TTIP – um acordo comercial que visa promover o livre comércio entre os 28 países das União Europeia e os Estados Unidos – que mostram que as empresas americanas de exploração petrolífera como a ExxonMobil tiveram acesso a versões iniciais do tratado e que as suas opiniões poderão ter sido incluídas no texto final. As negociações decorrem entre a Comissão Europeia e o Governo dos EUA e, até agora, o conteúdo final do tratado é desconhecido, já que muitas áreas de comércio ainda não estarão fechadas entre as duas partes.

Num dos documentos, altos funcionários da União Europeia afirmam que num relatório sobre uma reunião entre a ExxonMobil e o Comissário Europeu do Comércio “revela possíveis estratégias que a Comissão pode adotar nas negociações com os Estados Unidos sobre o TTIP”. A ExxonMobil terá dito nessa ocasião que “admirava” o trabalho que a Comissão estava a fazer no TTIP.

Os EUA estão atualmente impedidos de exportar petróleo e gás – uma lei dos anos 70, quando se deu o choque do petróleo, ainda está em vigor -, mas em Washington republicanos e democratas batem-se para revogar esta diretiva. A permissão de exportação de petróleo para o México, em agosto deste ano, veio mostrar que é possível contornar a lei. A importação de petróleo dos EUA preocupa as organizações ambientais europeias devido às emissões de CO2 e à infraestrutura que necessita ser construída para permitir esta troca internacional.

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