Quem foi o primeiro doente a ser infetado com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) é uma daquelas perguntas para um milhão de dólares. A doença foi reportada, pela primeira vez, nos Estados Unidos, em 1981, e desde então já bateu à porta de mais de 75 milhões de pessoas, mas há quem atire a origem do VIH/Sida para os anos 20. Ninguém conseguiu porém ainda provar quem foi a primeira pessoa infetada com este vírus e quando é que isso aconteceu, como lembra o espanhol ABC, no Dia Mundial da Luta Contra a Sida.

A teoria de que terá havido uma transmissão dos animais para os humanos é largamente aceite pela comunidade científica, embora não se saiba exatamente quando, nem em que moldes.

Shereen Usdin, médica norte-americana especialista nesta doença, defende a teoria de que o vírus terá passado dos macacos para os humanos por volta de 1930. E embora não tenha certeza de como tal terá acontecido, a especialista arrisca uma explicação: terá sido através do contacto direto com carne infetada de um macaco (chimpanzé), por parte de um caçador com uma ferida na mão ou de uma pessoa que estaria a preparar a carne para ser cozinhada.

Esta tese coincide com aquela que foi apresentada há um ano por investigadores das universidades de Oxford, no Reino Unido, e de Leuven, na Bélgica, que remeteram a origem do VIH para 1920, ano em que, na atual República do Congo, se terá assistido à passagem do vírus da imunodeficiência símia (VIS) – encontrado nos chimpanzés da África Ocidental – para o vírus da imunodeficiência humana (VIH) através do contacto com carne de macaco selvagem infetada. A transmissão da doença entre humanos terá acontecido por causa da forte explosão demográfica, do comércio que se fazia em torno do sexo com prostitutas na região e do uso das mesmas seringas por parte dos médicos para tratarem doentes com esta doença sexualmente transmissível.

Num livro publicado sobre este tema, Shereen Usdin referiu que a primeira pessoa a morrer com sida foi um homem da atual República do Congo, em 1959. E também o historiador Mirko Drazen Grmek, no livro História da Sida, fala deste caso, acrescentando que só 20 anos mais tarde se percebeu que se tratava de um caso de sida. O mesmo aconteceu como outras mortes ocorridas na Europa (Inglaterra, Suécia e Noruega) em 1961 e 1967.

Mas só em 1981 a sida foi reconhecida como doença pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos. Foi o médico Joel Weisman quem diagnosticou, em Los Angeles, esta doença em cinco dos pacientes que acompanhava e que começaram a apresentar todos sintomas semelhantes (perda de apetite, perda de peso, diarreia, etc). Inicialmente pensou tratar-se de uma pneumonia, mas quando lhes fez análises, o médico percebeu que tinham sofrido uma grande quebra de linfócitos. Nesse momento confirmou que estava perante uma nova doença. Dois dos cinco pacientes acabaram por morrer durante o processo e mesmo antes do boletim do CDC ter sido publicado, a 5 de junho de 1981.

Este foi o primeiro documento oficial a dar conta de um novo vírus no mundo ocidental. Também nesta altura foi sabido que todos os doentes eram homossexuais e que inalavam ‘popper’, uma substância que aumentava o apetite sexual. Por isso mesmo as pessoas começaram a estigmatizar este grupo, acusando-os de propagarem a doença.

Em 1986, a sida já estava espalhada por todo o mundo. Em 2014, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, havia 36,9 milhões de pessoas em todo o mundo a viver com VIH e nesse ano registaram-se dois milhões de novos casos, uma quebra de 35% face ao ano 2000. Em 2014 morreram 1,2 milhões em todo o mundo, menos 24% do que no ano 2000.