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Coreia do Norte diz que detonou primeira bomba de hidrogénio

Este artigo tem mais de 5 anos

Pyongyang diz que detonou uma primeira bomba de hidrogénio. O mundo recebe o anúncio com um misto de cepticismo e preocupação. Conselho de Segurança reúne-se de emergência esta tarde.

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AFP/Getty Images

AFP/Getty Images

(Última atualização às 10:34)

A Coreia do Norte anunciou esta quarta-feira que terá detonado pela primeira vez uma bomba de hidrogénio, num teste nuclear que está a deixar vários líderes com os cabelos em pé e que, a ser verdade, significa um aumento dramático na capacidade militar de um dos mais isolados regimes do mundo.

O aviso chegou primeiro através dos instrumentos de deteção de atividade sísmica que detetaram um abalo na ordem dos 5,1 na escala de Richter. O abalo, suspeitava a Coreia do Sul, tinha mão humana.

Os tremores teriam ocorrido perto ou em Punggye-ri, o local de testes nucleares do regime de Kim Jong-un, o que só fez aumentar a expectativa que se poderia mesmo tratar de mais um teste ordenado pelo líder da Coreia do Norte.

Coreia do Norte

Nas últimas semanas, Kim Jong-un tem vindo a gabar-se publicamente de que o seu país finalmente desenvolveu a tecnologia para construir uma bomba termonuclear, muito mais poderosa que os explosivos testados em 2006, 2009 e 2013.

Testes nucleares da Coreia do Norte

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8 de outubro de 2006: Primeiro teste faz com que a Coreia do Norte entre no exclusivo lote de países com armamento nuclear, passando a ser o oitavo membro.

24 de maio de 2009: Segundo teste acontece já com Barack Obama no poder, o primeiro de três com Obama como presidente e apenas um ano após a morte de Kim Jong-il, antes de se saber quem iria liderar o regime.

12 de fevereiro de 2013: Este foi o primeiro teste com Kim Jong-un assumidamente no poder e uma garantia ao mundo que iria continuar o legado do seu pai no que ao desenvolvimento do arsenal nuclear diz respeito.

5 de janeiro de 2016: A comunicação social controlada pelo regime diz que a Coreia do Norte testou, com sucesso, a detonação de uma bomba de hidrogénio. A confirmar-se, é uma grande mudança na capacidade nuclear de Pyongyang.

Durante a madrugada de Lisboa, o regime avançou com um comunicado a garantir que terá mesmo testado com sucesso a detonação de uma bomba de hidrogénio, que é, em termos simplistas, uma versão gigantesca de uma arma nuclear, que é lançada através de um míssil, com um alcance de milhares de quilómetros e com uma velocidade tão elevada que é muito difícil de detetar ou intercetar.

No anúncio, o regime de Kim Jong-un, o jovem que se estima tenha pouco mais de trinta anos e que lidera o que deverá ser o regime mais opaco do mundo, diz que o teste foi “um completo sucesso” e que o teste é uma medida “de autodefesa” tomada pelo regime para defender o seu direito “a viver, face às ameaças nucleares e à chantagem dos Estados Unidos e garantir a segurança da península da Coreia”.

A Coreia do Norte diz que o teste foi ordenado pelo próprio Kim Jong-un, apenas três dias após o líder norte-coreano assinar uma ordem para que os engenheiros do regime levassem a cabo este teste.

Se é verdade que a Coreia do Norte conseguiu mesmo detonar uma bomba de hidrogénio, a verdade não deverá saber-se no imediato. Não seria a primeira vez que a Coreia do Norte fazia declarações sobre o seu poder nuclear que não seria possível confirmar e que são recebidas pelos especialistas com muito ceticismo. Poderá demorar semanas ou meses, até que uma das potências consiga determinar que tipo de teste fez a Coreia do Norte.

O clube do nuclear

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Com o primeiro teste realizado em 2006, a Coreia do Norte entrou para o restrito clube de oito países com armamento nuclear confirmado.

Os Estados Unidos (primeiro teste em 1945 e o último em 1992), a Rússia (o primeiro em 1949 e o último em 1990), o Reino Unido (o primeiro em 1952 e em 1991 o último), a França (o primeiro teste em 1960 e o último em 1996), a China (o primeiro em 1964 e o último em 1996), a Índia (o primeiro em 1974 e o mais recente em 1998) e o Paquistão (todos os testes conhecidos foram realizados em 1998).

Restam dois países que não estão nesta lista, mas que se suspeita que tenham arsenal nuclear. Israel é o caso mais evidente de uma política de assumida ambiguidade em relação ao seu poderia nuclear, que não assume mas também não se desmente a existência. O segundo caso é o Irão, que a tem vindo a desenvolver um programa nuclear às escondidas, mas que as autoridades acreditam que não tenha ainda capacidade para desenvolver uma bomba nuclear.

 

Até lá, as maiores potências estão a reagir com cautela. Os Estados Unidos já reagiram dizendo que não pode confirmar o que diz o regime, mas que espera que a “Coreia do Norte cumpra as suas obrigações e compromissos internacionais” no que diz respeito ao seu armamento nuclear. O porta-voz do governo francês diz que se trata de uma provocação do regime e pede uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e o responsável pela diplomacia britânica diz que a confirmar-se as alegações veiculadas pelos canais oficiais do regime, trata-se de uma “grave violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e de uma provocação”, e pede uma resposta “urgente e decisiva” dos membros do Conselho de Segurança. A Coreia do Sul diz que fará a Coreia do Norte pagar o preço desta provocação.

A China, tradicional aliada, embora com uma relação conturbada, mostrou a sua “firme oposição” ao alegado teste e diz que vai monitorizar os desenvolvimentos na sua fronteira com a Coreia do Norte, perto do local de testes nucleares onde terá sido detonada com sucesso a bomba de hidrogénio. O governo chinês diz que não foi avisada que vai apresentar um protesto formal e que o teste foi levado a cabo contra os princípios da comunidade internacional, passando a mensagem a Pyongyang que deve abster-se de mais ações que aumentem as tensões na península da Coreia.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai mesmo reunir-se de emergência esta tarde em Nova Iorque para discutir as alegações da Coreia do Norte. A reunião deverá ocorrer à porta fechada entre os 15 membros do Conselho de Segurança e terá sido convocada pelos Estados Unidos e o Japão.

Game changer?

Já se sabia que a Coreia do Norte tinha armamento nuclear. Os três testes de 2006, 2009 e 2013 foram confirmados com bem-sucedidos. Se assim é, qual é a razão de tanto aparato? A capacidade de destruição.

A bomba atómica que os Estados Unidos largaram em Hiroshima, o “Little Boy“, e em Nagasaki alguns dias depois, o “Fat Man“, no final da Segunda Guerra Mundial em 1945, provocaram a morte a dezenas de milhares de pessoas e destruição nunca antes vista, para além de espalharem radiação que continuou a provocar danos décadas depois do bombardeamento.

No entanto, em comparação com a bomba de hidrogénio que os Estados Unidos testaram em Bikini Atoll, nas ilhas Marshall, em 1954, seriam uma gota no oceano. Esta bomba, testada há mais de 60 anos, tinha o poder de destruição de mil bombas como a que foi largada pelos bombardeiros norte-americanos em Hiroshima.

Uma bomba termonuclear, ou de hidrogénio, tem o poder de destruição de milhares de bombas atómicas, e inclui em si uma bomba atómica que atua como gatilho. Este tipo de bomba tem como objetivo espalhar o máximo de radiação possível e estima-se que apenas uma dezena de bombas chegariam para tornar todo o planeta não habitável durante muitos anos.

Aumentar sanções?

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se de emergência estar tarde em Nova Iorque, a pedido dos Estados Unidos e do Japão, depois de vários pedidos de países como a França e o Reino Unido para aumentar as sanções contra a Coreia do Norte.

Desde 2006, as Nações Unidas adotaram quatro resoluções para impor e reforçar sanções contra o regime precisamente por continuar a desenvolver o seu programa nuclear e instou a Coreia do Norte a desmantelar o seu programa nuclear de “forma completa, verificável e irreversível” e de se abster a fazer testes com mísseis balísticos.

As duas primeiras resoluções foram aprovadas pouco depois dos dois primeiros testes, em 2006 e 2009, a terceira foi aprovada no início de 2013, um mês após a Coreia do Norte lançar um satélite, algo que a Coreia do Norte está proibida de fazer pelo Conselho de Segurança pela possibilidade de usar o satélite para fins militares. A quarta resolução foi aprovada após o teste nuclear da Coreia do Norte em fevereiro de 2013. As medidas dão poder de interdição aos países membros da ONU, e obriga os países a inspecionar qualquer carga norte-coreana para o seu território, e apreender e destruir todos os bens proibidos nas resoluções.

Todas estas resoluções instam a Coreia do Norte a regressar ao enquadramento do Tratado de Não Proliferação, do qual fez parte entre 1985 até 2003, ano em que abandonou o quadro internacional na sequência de acusações dos Estados Unidos de que estaria a desenvolver ilegalmente um programa de enriquecimento de urânio.

A Coreia do Norte esteve à mesa das negociações com a Coreia do Sul, a China, o Japão, a Rússia e os Estados Unidos a partir de 2003. As negociações, que tinham como objetivo chegar a um acordo para o desmantelamento do programa nuclear norte-coreano, conseguiram pouco ou nada até setembro de 2005, altura em que as partes conseguiram um acordo para a desnuclearização da península da Coreia, confirmado em comunicado. Em 2007, os negociadores conseguiram um acordo para o encerramento do programa nuclear em troca de ajuda humanitária, mas as negociações terminaram em 2009. A Coreia do Norte usou a condenação internacional ao lançamento do seu satélite para abandonar as negociações.

As sanções contra o regime têm sido renovadas sucessivamente e têm agora prazo para terminar em abril deste ano, apesar de nada fazer prever que estas não sejam renovadas, menos ainda no quadro atual.

Nesta altura, as sanções incluem a proibição de um vasto leque de importações e exportações da Coreia do Norte, o congelamento de bens e a proibição de viajar a todas as pessoas envolvidas no programa nuclear. Entre o leque de bens proibidos estão tanques, veículos de combate, sistemas de artilharia de calibre elevado, aviação militar, helicópteros de ataque, navios de guerra, mísseis e sistemas de mísseis. Mas na lista está também a venda de produtos de luxo ao país.

Assim, os países estão proibidos de vender qualquer tipo de arma de elevado calibre, tecnologia militar e respetivo treino relacionado com o desenvolvimento de armas nucleares. Os países têm de inspecionar toda a carga com destino para a Coreia do Norte que passe pelos seus países e da qual se suspeite poder conter armas nucleares, químicas ou biológicas.

Na prática nem todos os países apoiavam estas sanções e, por isso mesmo, não faziam as verificações dos bens que tinham como destino a Coreia do Norte, como é o caso da China.

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