Em Colónia, Alemanha, a noite de Ano Novo ficou marcada pelos abusos sexuais a mulheres. Ao todo, mais de 200 mulheres preencheram queixas de agressão sexual sofridas nessa noite, sendo que duas mulheres preencheram uma queixa por violação. O caso, contudo, como relata o El Mundo, não é fenómeno isolado: começou no Egito, está a tornar-se um padrão e já se espalhou para a Europa.

O primeiro momento que alertou o mundo para o problema das agressões sexuais em grupo foi o caso da violação à jornalista Lara Logan, em 2011, enquanto cobria a queda do ditador do Egito, Hosni Mubarak. Em plena praça Tahrir, no Cairo, a jornalista foi assediada por vários locais, que acabaram por violá-la. A própria contou a experiência, em declarações citadas pelo jornal espanhol:

“Senti muitas mãos tocando-me no meu peito, entre as pernas. Então, repentinamente, uma multidão arrancou-me a roupa, deixando o meu torso nu. E violaram-me.”

E não foi a única. Segundo o El Mundo, entre 250 e 300 mulheres sofreram agressões sexuais – muitas delas foram violadas – nessa noite, na mesma praça, onde milhares de pessoas se concentraram para festejar a queda do regime no país.

O padrão é igual àquele que se verificou em Colónia, na noite de Ano Novo de 2015/2016. Homens divididos em grupos numerosos cercaram mulheres, para as roubar, para as agredir, para as assediar e, em muitos casos, para as violar. No norte de África, este método (iniciado no Egito) até já tem nomes: taharosh, mo’aska e hatk’ird. Na Alemanha, o nome é outro: Antanzer, utilizado para descrever esses cercos a mulheres, que começam com cânticos e convites para a vítima dançar. E foi assim que muitas das agressões sexuais em Colónia se iniciaram, na noite de 31 de dezembro.

“Estamos perante uma nova dimensão de crime”, afirmou o ministro da Justiça alemão, Heiko Maas, para se pronunciar sobre um fenómeno que, segundo o El Mundo, tem vindo a ocorrer em vários países europeus: Alemanha, Suiça, Finlândia, Áustria e Suécia. Neste último país, as agressões sexuais têm causado polémica. Segundo o diário sueco Dagens Nyheter, a polícia ocultou dezenas de agressões sexuais cometidas a jovens mulheres (algumas com 11 ou 12 anos) em 2014 e 2015, nas edições do festival juvenil We are Sthlm. Isto porque os suspeitos eram grupos de jovens imigrantes, “[vindos] em especial do Afeganistão”, e o governo preferiu não divulgar as queixas-crime, para não aumentar as posições xenófobas no país. Ainda na Suécia, na noite de Ano Novo registaram-se queixas de assédio sexual a 15 mulheres, na cidade de Kalmar, que afirmam ter sido assediadas por grupos de homens.

Em Colónia, os ataques da noite de Ano Novo originaram já atos criminosos como resposta. Segundo a agência de notícias Associated Press, um grupo com seis paquistaneses foi atacado este domingo, tal como um cidadão sírio, que se encontrava sozinho. O ministro da Justiça alemão já comentou:

“Por mais abomináveis que os crimes ocorridos em Colónia e em outras cidades tenham sido, há uma coisa que continua clara – não há justificação para ataques encobertos contra estrangeiros (…) [Algumas pessoas] parece que estiveram à espera dos acontecimentos em Colónia.”

Texto editado por João Cândido da Silva