As eleições presidenciais nos EUA funcionam de uma maneira um pouco diferente, por isso vamos a uma lição rápida. A cada quatro anos é preciso escolher um novo presidente. Os candidatos não caem das árvores que lhes apetecer e apenas podem vir de dois lados, o democrata ou o republicano. Daí que, antes de haver o sufrágio a sério, exista uma vindima para pegar na cesta e de lá retirar o candidato que mais pessoas veem como o melhor. Ora, é a esta fase que os norte-americanos estão a chegar e o que parecia ser bom para Hillary Clinton agora está a tornar-se mau.

Em fevereiro arrancam as eleições primárias, que vão abrir as urnas em cada um dos 50 estados e perguntar aos norte-americanos qual dos candidatos — democrata ou republicano — querem levar às eleições finais. Iowa e New Hampshire serão os primeiros estados a ter votações e o problema da candidata está aí. No início de dezembro, as sondagens palpitavam que Hillary Clinton estava bem encaminhada, com mais 18 pontos percentuais que Bernie Sanders, o outro candidato democrata, nas preferências dos votantes, escreve o New York Times. Mas, agora, o cesto a inclinar-se para o outro lado.

Os debates frente-a-frente fizeram mossa na antiga Secretária de Estado norte-americana (2009-2013), que está a ver os números virarem-lhe as costas nestes dois estados. O mesmo jornal defende que, agora, Sanders reúne 51% das intenções de voto, contra 43% de Clinton. O eleitorado do Iowa, sobretudo, verá Hillary como a candidata mais capaz em matéria de política externa, embora veja Sanders como mais forte em assuntos económicos e de saúde — um tema, aliás, bastante discutido durante o mandato do atual presidente dos EUA, devido ao Obamacare, um programa que tentou criar uma espécie de serviço nacional de saúde no país.

Hillary Clinton parece ser a candidata preferida do eleitorado democrata em termos nacionais, mas uma derrota nos primeiros dois estados a irem a votos pode virar as intenções de voto contra si. Algo, aliás, que aconteceu em 2008, quando concorreu, e perdeu, contra Barack Obama. Um artigo de opinião do Washington Post, um diário com tendências democratas, apesar de leves, chegou mesmo a escrever que a mulher do ex-presidente Bill Clinton (entre 1993 e 2001) foi quem teve “a pior semana em Washington”.

De nada lhe têm valido, portanto, as declarações com que aumentou o número de críticas disparadas contra o seu adversário democrata. Clinton tem classificado Bernie Sanders, escreve o jornal, como demasiado conservador em matéria de política de armamento (em que Barack Obama tem estado bastante ativo) e irrealisticamente ambicioso em matérias económicas. As sondagens, até agora, mostram que a estratégia não têm dado grandes frutos. E está a aparecer o risco de Hillary Cliton ficar, again, no cesto.