Os juros da dívida de Portugal continuam a subir, de forma acentuada, num dia em que as taxas de Itália e Espanha estão a aliviar, beneficiando de alguma estabilização nas bolsas internacionais. Apesar da aprovação do Orçamento, a pressão continua, com as taxas a 10 anos em 4,3% e o prémio de risco face à dívida alemã acima de 400 pontos base.

São máximos desde o início de 2014 que já levaram o IGCP a convidar bancos de investimento internacionais para reuniões em Lisboa mais para o final do mês de fevereiro.

Juros da dívida de Portugal continuam a subir

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Num dia de alívio dos juros em Espanha e Itália, as taxas de Portugal continuam a subir.

Num dia em que as taxas de Espanha e Itália estão a aliviar das subidas moderadas da véspera, a pressão sobre a dívida portuguesa continua. A taxa a 10 anos está a subir pela sétima sessão consecutiva, com um aumento de quase 20 pontos-base esta sexta-feira. Em Espanha e Itália os juros estão a descer dois pontos-base nos principais prazos.

Ao início da tarde de quinta-feira, o primeiro-ministro António Costa começou por justificar a subida dos juros com o que diz ser “uma evolução dos juros ao longo da última semana” que é comum a outros países da zona euro. “Seguramente hoje [ontem] a aprovação pelo Eurogrupo do nosso orçamento ajudará a reforçar a confiança dos investidores”, afirmou o primeiro-ministro, notando que o governo “tudo fará para prevenir riscos e reforçar a confiança”.

IGCP chama analistas de bancos de investimento

O Observador sabe que o IGCP já convidou pelo menos um banco de investimento para uma reunião em Lisboa mais para o final do mês de fevereiro. O objetivo será tentar clarificar os planos da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) sobre o financiamento para este ano e os compromissos orçamentais.

Este encontro, ou encontros, insere-se no que fonte do governo disse ao Diário de Notícias ser uma tentativa de comunicar melhor sobre as intenções do governo e os compromissos orçamentais: “É preciso transmitir essa mensagem”, disse fonte do governo ao DN.

Risco da dívida em máximos desde o início de 2014

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A diferença entre a taxa de juro de Portugal e da Alemanha está acima dos 400 pontos base (quatro pontos percentuais).