Asad Shah, dono de uma loja de conveniência em Glasgow, foi morto no dia 24 de março, horas depois de ter colocado no Facebook uma publicação onde desejava uma “Páscoa muito feliz”. Um suspeito foi detido e terá confessado ser o responsável pela morte do lojista, informa o jornal britânico The Guardian.

Asad Shah foi morto quatro horas depois de ter publicado no seu Facebook uma mensagem onde se podia ler “boa sexta-feira e uma Páscoa muito feliz, especialmente para a minha adorada nação cristã!”

Sem nome

O homem, que tinha migrado do Paquistão para a Escócia na década de 90, fazia parte da comunidade Ahmadi, uma comunidade muçulmana que não acredita que Maomé tenha sido o derradeiro profeta do Islão. Esta crença é rejeitada pela maior parte dos muçulmanos e levou a que a comunidade fosse alvo de perseguições no Paquistão e na Indonésia. Os muçulmanos ortodoxos não consideram que os membros desta comunidade sejam muçulmanos.

O lojista de 40 anos foi esfaqueado e pontapeado, acabando por morrer a caminho do hospital Rainha Isabel II.

Após o crime, foram vários os tributos ao dono da loja, que era bastante conhecido dentro da comunidade multicultural de Glasgow. Junto aos tributos foram angariados mais de 100 mil dólares (aproximadamente 136 mil euros).

Alguns dos entrevistados relembraram Shah como um homem simpático e atencioso que se preocupava com a comunidade. Entre as pessoas presentes na vigília de Sexta-feira Santa, esteve o primeiro-ministro escocês, Nicola Sturgeon. A vigília foi organizada por duas mulheres, uma muçulmana e uma católica e originou a hashtag #thisisnotwhoweare, afirma o The Guardian.

A família de Asad Shah publicou um comunicado em que agradece a demonstração pública de afeto por parte da sociedade de Glasgow.

O suspeito

Tanver Ahmed, de 32 anos, foi acusado do homicídio do lojista. O Telegraph cita um comunicado divulgado pelo advogado de Ahmed, John Rafferty. Neste comunicado o suspeito admite ser o responsável pelo assassinato e dá a sua explicação: “Tudo isto aconteceu por uma razão e apenas uma. Asad Shah desrespeitou o mensageiro do Islão, o profeta Maomé, que a paz esteja com ele. O senhor Shah afirmou ser um profeta.”

Ahmed afirmou ainda que caso não o tivesse feito, outros o fariam, mas talvez nessa circunstância as consequências fossem mais nefastas, resultando em “mais mortes e violência no mundo”. No comunicado o suspeito afirmou que tinha respeito pelo Cristianismo e que outras religiões não tiveram qualquer influência sobre a sua decisão: “Quero deixar perfeitamente claro que o que aconteceu não teve nada a ver com o Cristianismo ou com qualquer outra crença religiosa. Embora eu seja um seguidor do profeta Maomé, que a paz esteja com ele, também adoro e respeito Jesus Cristo.”

Ahmed Owusu-Konad, o líder da comunidade Ahmadi de Glasgow, pediu a todos os líderes muçulmanos e imãs do Reino Unido para condenarem, publicamente, o assassino de Asad. Segundo Owusu-Konad, é necessário condenar as suas ações já que estas “Justificam o assassinato de qualquer pessoa – muçulmana ou não – que um extremista considere que desrespeitou o Islão”.