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António Costa foi ao Parlamento com o país político (e não só) a debater a situação da Caixa Geral de Depósitos e acabou por ser confrontado com perguntas vindas de todas as bancadas parlamentares (só falhou mesmo o deputado do PAN). Não quis adiantar muito sobre o plano de capitalização e de negócios que confirmou estar a desenhar “juntamente com as autoridades europeias”, garantindo apenas que “as negociações têm corrido bem”. Acabou por levantar algumas pontas do véu, sobretudo para tranquilizar os parceiros da esquerda. E do Parlamento acabou por levar duas garantias: o PSD vai avançar com uma Comissão de Inquérito potestativa (que avança obrigatoriamente, sendo uma faculdade da maior bancada parlamentar) à situação do banco público e que o Bloco de Esquerda quer uma “auditoria forense aos créditos das Caixa Geral de Depósitos” que tenha, se for caso disso, consequências judiciais.

Mas o que afinal adiantou António Costa sobre o que aí vem para a Caixa?

Plano não prevê despedimentos…

As novidades trazidas por Marques Mendes tinham outro detalhe explosivo: o plano de reestruturação da Caixa Geral de Depósitos implicaria também uma “redução de pessoal muito significativa de pelo menos 2000 pessoas” até 2019 e a redução de balcões do banco no estrangeiro.
À esquerda e à direita, todos os partidos exigiram saber se o plano de reestruturação da Caixa implicaria ou não despedimentos. António Costa foi claro: “Não estão previstos neste momento, do que eu conheço do plano, despedimentos. O que está previsto é uma redução normal tendo em conta as reformas”.

…mas admite encerramento de balcões

Em relação à rede de balcões da Caixa Geral de Depósitos a história é outra. O primeiro-ministro garantiu que o Governo tem como objetivo manter uma rede nacional forte, mas admitiu que “pode haver” encerramento de balcões no estrangeiro. E não concretizou mais, mesmo perante a insistência de parceiros parlamentares e oposição.

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Uma coisa é certa: a estratégia de representação do banco público a além-fronteiras deve ser repensada.

100% público

António Costa garantiu que a recapitalização passará apenas por dinheiro público, sem qualquer intervenção de privado. A afirmação foi feita logo no início do debate quinzenal, depois do PCP ter levantado o tema (logo na primeira intervenção). O primeiro-ministro quis tranquilizar os comunistas: ““Nós fixámos um objetivo muito claro. Vamos manter a Caixa 100% pública, 100% do Estado e 100% capacitada com o capital necessário para cumprir a sua missão”. E a garantia foi dada de várias formas ao longo do debate, chegando mesmo o PSD a garantir que também não

Que fundo serão necessários para capitalizar o banco?

O primeiro-ministro não quis adiantar o valor da recapitalização do banco público, recusando mesmo “especulações sobre o montante do reforço de capital” que será necessário para a Caixa Geral de Depósitos. Mas acabou por explicar de que fatores depende esse montante: “Temos de distinguir as necessidades de reforço que resultam de obrigações que a Caixa tem de cumprir e outras que resultam da necessidade de fazer face às imparidades” no banco público.

“Esses montantes, no seu valor certo, só poderão ser apurados no termo das negociações do programa de reestruturação, do plano de negócio e da recapitalização da CGD”, disse Costa durante o debate quinzenal. O chefe do Executivo também se comprometeu a apresentar o plano à Assembleia da República quando estiver fechado.