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Eric Cantona – ou só “Eric”, entre os adeptos do Manchester United –, ganhou, por força do mau feitio no relvado, mas sobretudo dos sublimes pés que nem o arcabouço de “matulão” lhes retiraram nunca, um lugar entre os melhores que o futebol já viu. Hoje, autoproclama-se “comissário” desse desporto.

E Eric (perdoem-me tratá-lo só assim, tão pessoalmente, mas sou adepto dos Red Devils desde pequenino) está “infeliz”, segundo o próprio confessa à Eurosport. O vídeo é “sublime” – e mesmo esse adjetivo é redutor –, e o ex-internacional francês começa por criticar os seus. Ou melhor, a organização francesa do Euro 2016. Ou melhor ainda, os jardineiros franceses, “os mesmos que nos deram os magníficos jardins de Versailles”, e que hoje trazem os relvados do Euro tão pelas ruas da amargura, “que quase parecem campos de batatas”.

“A propósito de verde”, Eric Cantona elogia de seguida os melhores adeptos do Euro até aqui, os Irlandeses, mas para não os deixar desafinados com os “vizinhos de cima”, até entoa a canção que os adeptos da Irlanda do Norte criaram para o seu “matador” (ainda sem partidas disputadas e, portanto, golos marcados) no Euro: Will Grigg. E canta: “Will Grigg’s is on fire! La, la, la, la…”

A seguir, uma confidência. E que confidência. Cantona começa por relembrar o episódio das camisolas suíças rasgadas no jogo diante da França, e puxa a si da curiosa frase do suíço Shaqiri no final da partida: “Ainda bem que a Puma não fabrica preservativos.” É aí que Cantona confidencia que tem um filho na Alemanha, um tal de Mario… Götze. Sim, esse mesmo. É que tal como Cantona, também o internacional alemão usa do “non sense filosófico”, como o francês lhe chama, quando um microfone se aproxima dele. “Aqueles genes são meus!”, garante.

Houve ainda tempo para Eric Cantona fazer uma referência ao apuramento da Islândia para os “oitavos”. Mas a referência é sobretudo ao relato de um comentador islandês e ao seu “orgasmo futebolístico”, como o descreveu Cantona. “Oxalá não desperte nenhum vulcão”, acrescentou, lembrando-se certamente daquele com nome impronunciável, o Eyjafjallajökull (santinho!), que pintou de negro e cinza os céus europeus em 2010.

Mas se Cantona começou zangado com a França, terminou em lágrimas por causa do seu segundo país, “que me deu tudo”, a Inglaterra, e mais concretamente o Reino Unido. Diz ele que ao Euro, e com todas as seleções britânicas apuradas para os “oitavos”, “o Brexit não chegou”. E depois chorou. Copiosamente.

Só não houve nenhuma nota sobre Portugal. E Cantona até está a viver em Lisboa há largos meses.