O PSD quer ver esclarecidas as declarações do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais sobre a existência de uma “lista grande de entidades” sobre as quais membros do Governo não devem tomar decisões por qualquer impedimento. O deputado Luís Marques Guedes diz que ouviu as declarações de Rocha Andrade com “perplexidade e até inquietação” e exige explicações ao próprio, mas também a “alguém com responsabilidade mais alta dentro do Governo”, sem esclarecer se a clarificação deve vir do primeiro-ministro.

O coordenador dos deputados do PSD na comissão eventual sobre a transparência diz que Rocha Andrade tentou “justificar o injustificável”, referindo-se à viagem paga pela Galp que o governante fez, durante o Europeu de futebol, para assistir a jogos da seleção nacional em França. E questiona: “Diz que todos os membros do Governo carregam uma grande lista de entidades sobre as quais não podem tomar decisões. Está a falar de quem? Todos os membros do Governo, inclusive do primeiro-ministro? Há entidades relativamente às quais qualquer membro do Governo não pode tomar decisões?”.

Não pode passar a ideia que temos um Governo em part-time e membros do Governo que podem tomar decisões sobre uma matéria e não sobre outras”, atira Marques Guedes.

Em causa está a afirmação do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais na entrevista que deu esta quarta-feira à TSF, DN e JN. Confrontado com a polémica suscitada pelo caso Galp e ter ficado impedido (por decisão do próprio) de tomar decisões sobre a empresa no futuro (e há um contencioso entre as Finanças e a Galp), Rocha Andrade assumiu que “todos os membros do Governo carregam consigo uma lista grande de entidades em relação às quais não devem tomar decisões”.

No PSD, Marques Guedes considera que o governante “é capaz de estar a fazer confusão”: “Quando uma pessoa passa a membro do governo e teve atividade profissional anterior, por uma questão ética e de transparência relativa a potenciais conflitos de interesses declara as entidades com as quais trabalhou”, já “coisa completamente diferente é o que se passou com a Galp em que, foi na constância do próprio mandato, que teve envolvimento com uma empresa que o inibe de tomar posições sobre essa empresa”.

É por isso que os sociais-democratas pedem “clarificação das declarações” para depois avaliarem “quais as medidas a tomar”. E quem as deve prestar, disse ainda Marques Guedes, é “desde logo” o autor das declarações polémicas. “Mas também alguém como responsabilidade mais alta dentro do Governo, uma vez que nessas declarações estão envolvidos todos os ministros”.

Numa conferência de imprensa sobre o trabalho temporário, António Filipe, do PCP, foi questionado sobre as declarações de Rocha Andrade mas não quis fazer qualquer comentário sobre as mesmas.