Ambições globais, capital chinês, engenharia sueca, apresentação oficial na Alemanha. Como anunciado, a Lynk & Co, a nova marca de automóveis da chinesa Geely, proprietária também da Volvo, já foi formalmente apresentada em Berlim, prometendo agitar o sector com novos modelos de distribuição, retalho e, até, de configuração de produto.

Os seus automóveis serão identificados, simplesmente, por dois dígitos, e o primeiro adopta, de forma óbvia, a sigla 01. Trata-se de um SUV compacto a produzir na China, e cujas vendas se iniciarão no mercado doméstico já em 2017, devendo chegar à Europa e aos Estados Unidos da América em 2018. Também já está previsto o alargamento da oferta com a introdução do 02 e do 03, um dos quais será uma berlina compacta, cujas linhas serão antecipadas por um protótipo de um coupé de quatro portas a apresentar muito em breve.

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Depois do SUV, a nova marca vai apresentar uma berlina compacta, cujas linhas serão antecipadas por um protótipo de um coupé de quatro portas

Desenhado sob a supervisão de Peter Horbury, antigo designer da Ford e da Volvo, o Lynk & Co 01 exibe linhas que, segundo a própria marca, têm como ambição serem apelativas a nível global e, ao mesmo tempo, destacar-se da maioria. Com 4,5 m de comprimento, 1,8 m de largura e 1,6 m de altura, para uma distância entre eixos de 2,7 m, ao modelo cabe, também, a tarefa de estrear a plataforma modular global CMA (Compact Modular Platform), desenvolvida em conjunto pela Geely e pela Volvo. E que servirá de base à futura geração V40/XC40 da marca nórdica, cujo lançamento está previsto para o próximo ano.

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Cabe ao 01 cabe estrear a plataforma modular global CMA, que também servirá de base à futura geração Volvo V40/XC40

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Aliás, não obstante a Volvo ter feito questão de declarar, em comunicado, que “a Lynk & Co é uma nova marca de automóveis da Geely Automobile, totalmente autónoma e separada da Volvo Car”, e que “esta nova marca destina-se a um segmento de mercado distinto e tem a sua própria estrutura organizativa”, o facto é que a própria Lynk & Co faz alarde, no seu site oficial, da “engenharia sueca” empregue nos seus modelos, quando alude aos motores que os animarão, e que serão de combustão, híbridos e eléctricos.

No caso do Lynk 01, tudo aponta para a disponibilização de duas versões, pelo menos na fase de arranque de comercialização: uma animada por um quatro cilindros a gasolina de 2,0 litros (proposto com caixa manual de seis relações, ou pilotada de dupla embraiagem e sete velocidades), a outra recorrendo a uma solução híbrida, composta por um motor de três cilindros a gasolina de 1,5 litros combinado com um motor eléctrico. Ambos os motores térmicos deverão ser produzidos na China, sob licença da Volvo.

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Embora a Volvo se esteja a esforçar por manter as águas separadas, a Link & Co faz questão de sublinhar que os seus modelos vão dispor da tecnologia sueca

Para fazer jus ao nome do seu construtor, a Lynk & Co alega que o 01 é, igualmente, o automóvel mais “conectado” do mercado, atributo que se estenderá às suas futuras propostas. Todos os modelos da nova marca chinesa contarão com um ecrã táctil de grandes dimensões, e com sistemas telemáticos e de infoentretenimento que estão permanentemente ligados à Internet e à Cloud específica de cada unidade, através de uma plataforma desenvolvida em conjunto com a Ericsson, com uma interface de programação de código aberto, que permitirá a programadores terceiros à mesma adicionar as suas próprias funcionalidades. O que garantirá, por exemplo, que o proprietário saiba sempre onde e em que estado se encontra o seu veículo, através de uma app específica que permite a sua monitorização e controlo, ou até o acesso remoto ao automóvel, através de uma chave digital. Funcionalidade que, desde logo, abre a possibilidade de o proprietário ganhar dinheiro ao partilhar o seu Lynk com terceiros, sempre que não esteja a utilizá-lo.

A estratégia da nova marca

Os custos (de produção, distribuição, aquisição e utilização) são, assumidamente, outras das prioridades da Lynk & Co. Uma das suas apostas passa por um novo modelo de distribuição e vendas, baseado na Internet e em lojas próprias, que permita baixar o preço de aquisição (que a marca promete será “altamente competitivo”) através da supressão de parte significativa dos custos de distribuição que, por norma, representam cerca de 25% do preço final de um automóvel.

Ao mesmo tempo, a marca diz estar a colaborar de perto com a Microsoft e a Alibaba no desenvolvimento de uma nova infraestrutura digital de clientes para a indústria automóvel, dotada de novos sistemas de gestão de encomendas, fornecimentos, vendas e relações com o cliente, bem como de aplicações personalizadas para interacção com distintos utilizadores.

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Para poder praticar preços “altamente competitivos”, a marca planeia limitar o número de opções em termos de equipamento e acabamentos

Os preços serão influenciados, ainda, pela disponibilização de um número limitado de níveis de acabamento e equipamento, por oposição às longas listas de equipamento opcional que permitem criar inúmeras configurações de um determinado modelo, mas não deixam de reflectir-se nos custos de produção, logo, na bolsa do cliente. Inspirando-se nas áreas da moda e da tecnologia, a Lynk & Co optou antes por criar uma pequena colecção de pacotes de equipamento alargados de preço fixo, cada qual visando satisfazer tipos de compradores distintos.

Simplificar a posse e o uso dos automóveis, através da redefinição da forma como estes são adquiridos, assistidos e utilizados, é, em resumo, o mote da Lynk & Co, que para tal garante ir introduzir no mercado modelos tecnologicamente avançados, sempre conectados, e, ainda assim, propostos a preços acessíveis, sem que isso ponha em causa a sua qualidade. Também por isso, cada Lynk adquirido será directamente entregue ao seu novo proprietário no local por este definido, e recolhido e devolvido da mesma forma sempre que precisar de ser assistido. Só falta mesmo comprovar se, e como, tudo isto funcionará.