François Fillon e a mulher, Penelope, foram ouvidos durante seis horas pela polícia francesa esta segunda-feira no departamento responsável pelo combate à corrupção e aos crimes financeiros e fiscais, avançou a BFMTV. Esta audição fez parte da investigação preliminar iniciada na última quarta-feira. Ambos são suspeitos de peculato, apropriação indevida de ativos corporativos e ocultação desses crimes. A investigação começou depois de o jornal satírico “Le Canard Enchaîné” ter publicado um artigo onde escreve que François Fillon, candidato de direita nas presidenciais francesas, criou um emprego fictício para a mulher, pagando-lhe 500 mil euros vindos de fundos parlamentares ao longo de oito anos.

De acordo com esse jornal, o ex-primeiro-ministro francês empregou a mulher num cargo de assistente parlamentar entre 1998 e 2002 e depois durante mais seis meses em 2012. Na primeira vez terá recebido um salário de 3900 euros brutos mensais, que aumentou em 2012 para 4600 euros. Além disso, entre 2002 e 2007, terá sido colaboradora de Marc Joulaud, que substituiu François Fillon quando este se tornou Ministro dos Assuntos Sociais e, mais tarde, Ministro da Educação. Nessa função, que o “Le Canard Enchaîné” afirma ser fictício, Penelope receberia 7900 euros brutos.

De acordo com a BFMTV, até ao momento já foram ouvidos Frizzy Michel, ex-diretor da Revue des Deux Mondes (que empregou Penelope entre 2002 e 2007), Marc Joulaud, proprietário da revista, e Christine Kelly, jornalista que escreveu a biografia de François Fillon.

O candidato já tinha afirmado que, se fosse investigado pela polícia sobre este caso, desistiria da corrida nas eleições presidenciais francesas. François Fillon e Penelope emitiram um comunicado onde asseguram ter dado “um contributo útil para o estabelecimento da verdade, a fim de estabelecer o trabalho realizado pela senhora Fillon”, avança a Europe 1.