Passados mais de 100 anos, sabe-se agora que a história da primeira mulher a votar, no Reino Unido, estava errada. A mulher só conseguiu votar, porque os oficiais a confundiram com um homem. Frances Connelly foi a mulher que fez história, em 1911, após conseguir votar sete anos antes das mulheres se terem emancipado. Mas tudo decorreu de um erro eleitoral, dá conta o The Telegraph.

Frances Connelly recebeu um cartão eleitoral, por acidente, devido ao seu primeiro nome, que foi assumido como sendo de um homem. Quando a mulher se apresentou ao local de voto, com o cartão, o agente Harold Fletcher ficou atordoado com a possibilidade de haver um eleitor do sexo feminino. Assim, desde logo entrou em discussão com o advogado do circuito ocidental, WT Snell. Depois de falarem com o presidente WW Henley, conta o The Telegraph, acordou-se que não havia outra opção que não deixar a mulher votar, uma vez que o seu nome constava na lista eleitoral.

As regras, para que France pudesse votar, foram as seguintes: ela tinha que ser a pessoa que o cartão eleitoral registava e nunca poderia ter votado, em nenhuma outra eleição. Num jornal local, com data de 29 de novembro de 1911, pode ler-se, segundo cita o The Telegraph:

“Esta eleição será relembrada como sendo a primeira, em toda a história da constituição, a ter uma mulher que reclamou e pode exercer o seu exercício parlamentar. No exato momento em que o carro das sufragistas estava a descer a Yeovil, exibindo cartazes com a legenda ‘As mães querem votar’, uma senhora já estava a colocar a cruz contra o nome do Sr. Aubrey Herbert – pelo menos o suposto é de que ela estivesse do lado da união – na Câmara Municipal. O ponto foi realizado e a Sra. Connell votou, e o seu voto foi registado de forma normal, e não com um papel a dizer ‘adjudicado’ – foi contado como os outros”.

Foi em 1918 que as mulheres começaram a poder votar. No entanto, havia restrições: ricas, com propriedades e terra e com idade superior a 30 anos. A restante camada feminina teve de esperar até 1928 para que o sufrágio fosse completamente introduzido. Quanto à mulher que fez história, France Connelly, morreu em 1917, aos 48 anos e não conseguiu assistir às mulheres a obterem o direito do voto.