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O CDS atacou, o Ministério das Finanças respondeu, e o CDS arranca agora em contra-ataque, dando entrada na comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos com um requerimento formal para pedir acesso a toda a troca de mensagens via telemóvel, e não apenas cartas e emails, entre as Finanças e António Domingues. Além do requerimento, o CDS divulgou também esta sexta-feira um comunicado de resposta ao comunicado das Finanças onde Mário Centeno se disse alvo de “uma vil tentativa de assassinato do caráter” por parte dos centristas.

Depois dos emails e cartas, o CDS é agora mais específico e quer aceder a toda a informação “por SMS ou por outra via”. Os deputados do CDS na comissão de inquérito, cujo coordenador é o deputado João Almeida, pedem acesso à “informação sobre se houve comunicação, por SMS ou por outra via, entre o Ministério das Finanças e o Dr. António Domingues após a reunião de 18 de março de 2016, de alguma forma relacionada com as condições colocadas para a aceitação dos convites para a nova administração da CGD”. Ou seja, o CDS não muda o objeto do pedido, mas recua dois dias na data: no requerimento anterior, onde pediu acesso a toda a correspondência, nomeadamente por correio eletrónico, referia-se aos emails trocados depois da reunião do dia 20 de março.

Esta quinta-feira à noite, no programa de comentário da SIC Notícias Quadratura do Círculo, António Lobo Xavier, ex-dirigente do CDS e amigo de António Domingues, reiterou que existe “troca abundante de mensagens” entre o agora ex-presidente da Caixa e o Ministério das Finanças, deixando claro que há mais documentos além dos que já chegaram às mãos dos deputados que coordenam a comissão de inquérito.

Em novembro, foi também na sequência de um alerta sobre compromissos escritos deixado por Lobo Xavier no mesmo programa que o CDS requereu toda a troca de correspondência entre Domingues e as Finanças. Na altura a formulação foi a seguinte: “Toda a correspondência e documentação trocada, nomeadamente por correio eletrónico, entre o Ministério das Finanças e António Domingues, após a reunião de 20 de março, de alguma forma relacionada com as condições colocadas para a aceitação dos convites para a nova administração da CGD”.

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Em resposta a este pedido, as Finanças afirmaram que “inexistia” correspondência como aquela descrita. Domingues, por sua vez, entregou toda a troca de emails e cartas com as Finanças — documentos esses que o CDS garante serem a prova de que onde afinal “existe” correspondência como aquela, e que provam por isso que Mário Centeno mentiu à comissão de inquérito.

Na sequência desta acusação, as Finanças responderam aos centristas acusando-os de “truncar” os factos para “produzir uma vil tentativa de assassinato do caráter do Ministro das Finanças”. Mas a polémica não vai ficar por aqui, com o CDS a garantir que vai responder ainda esta sexta-feira.

Além de Mário Centeno, que deverá voltar a ser ouvido na comissão de inquérito à CGD por imposição do PSD, também António Domingues vai ser chamado por requerimento potestativo (obrigatório) do CDS (que ainda tem dois potestativos para usar). “Não deixaremos de voltar a chamar António Domingues para nos dizer se existem ou não aquelas informações, e se não for por email que seja por sms, ou de outra forma qualquer”, disse esta quinta-feira o deputado centrista João Almeida durante a conferência de imprensa onde abriu caminho a uma eventual queixa-crime contra Mário Centeno por “mentir” numa comissão de inquérito, cujas regras são idênticas às de um processo judicial.