Quer ser como Jorge Mendes, um “super agente” do recrutamento para identificar “os melhores talentos e potencia-los para as melhores oportunidades”. Chama-se Unono, do grego “enono” que significa, juntar, reunir tudo no mesmo espaço. No fundo, é isso mesmo que quer fazer: reunir estudantes, recém-licenciados e empresas numa plataforma para facilitar, por um lado, a procura de emprego e, por outro, a de talento.

“Queremos ser um pouco como o Jorge Mendes, o conhecido agente de futebol. Queremos identificar previamente quais os melhores talentos que existem nas faculdades devido à proximidade que temos com essas instituições”, explica Edgar Campos, que se juntou à Unono há cerca de um ano e meio para “começar a trabalhar o mercado português”.

O objetivo é simples: “Criar uma comunidade estudantil de jovens universitários e recém-formados com partilha de conteúdo, experiências, apontamentos”, conta Edgar Campos. A atuar em Portugal e em Espanha, a Unono conseguiu fazer mais de 50 match (ligações de sucesso) entre candidatos e empresas, em oito meses.

Com dois anos e meio de vida, a Unono nasceu em Madrid (onde tem a sede), pela mão de Luís Mendes e Raphäel Heraief (espanhol e suíço) quando eram estudantes. Hoje, tem mais de 50 clientes, como a consultora Accenture, a Amazon, a Science4you, a Johnson & Johnson, a Ageas, a Zurich ou a Prodsmart.

Há cerca de um ano e meio, percebemos a oportunidade de apoiar os recém formados no mercado de trabalho, inicialmente em Espanha. Somos a única startup ibérica que atua na área do recrutamento e seleção de talento júnior – de perfis sem experiência a perfis com, no máximo, três, quatro anos de experiência, sempre com menos de 30 anos. O nosso objetivo é ajudá-los a encontrar as primeiras ou novas oportunidades de trabalho”, explica Edgar Campos, responsável pela Unono em Portugal.

Em Portugal, a empresa está incubada na Startup Lisboa há cerca de um ano. Neste momento, as operações da Unono estendem-se a Lausanne, na Suíça, onde estão a trabalhar no desenvolvimento de uma tecnologia própria de análise de vídeo.

O que é que a Unono faz?

Quem quiser tentar um lugar no mercado de trabalho através da Unono, acede à plataforma, regista os dados e o currículo (escrito e em vídeo). Não tem de fazer mais nada além de esperar pela resposta.

Queremos inverter o mercado. Em vez de o recém formado, ou outra pessoa que esteja à procura de uma nova oportunidade, ter de se registar, enviar o CV, carta de apresentação, carta de motivação, em todas as plataformas [de procura de emprego] que existem no mercado (ou nos websites das empresas onde pretende trabalhar), na Unono submete o currículo uma única vez”, explica o responsável.

A informação começa a ser trabalhada pelo algoritmo desenvolvido pela plataforma, na qual se cruzam as características e preferências do candidato com aquilo que as empresas procuram. O CV em vídeo é um dos pontos diferenciais da plataforma.

Temos dados que dizem que mais de 60 % dos candidatos que enviaram vídeo CV foram contactados. Afinal, não existe uma segunda oportunidade para criar uma primeira impressão”, considera Edgar Campos.

A tecnologia permite, através do vídeo CV, perceber a capacidade de reação ao stress do candidato, como responde às perguntas, quais os temas em que se sente mais à vontade. “E, através dessa análise, conseguimos perceber qual será a melhor oportunidade para o candidato”, explica Edgar Campos.

Apesar de receber perfis de todas as áreas, a Unono foca-se em algumas “áreas fulcrais” como a gestão, economia, recursos humanos, vendas, administração e engenharias. A novidade para 2017 é que a startup vai começar a trabalhar perfis de Tecnologias de Informação (IT).

Os candidatos que se registam na plataforma procuram emprego maioritariamente nas áreas de engenharias e gestão e, mais recentemente, em marketing e publicidade. A média de idades ronda 23 e 26 anos e os jovens são, predominantemente, de Lisboa e do Porto.

A plataforma conta com “milhares de utilizadores em Portugal e Espanha” mas a Unono quer mais 150 mil utilizadores até ao final do ano.

Os “caça-talentos” querem duplicar o número de colaboradores

Em Portugal, têm duplicado o número de utilizadores mensalmente e há cerca de 50 candidatos que foram recrutados nos dois países. O cliente só paga se o candidato for recrutado pela empresa. Dependendo das “especificidades e dos requisitos do perfil”, os valores, à exceção da área de IT, variam entre os 300 e os 600 euros. Para os jovens, o processo é gratuito.

Além do contacto que tem com os candidatos e com as empresas, a Unono tem parcerias com mais de 30 faculdades, em Portugal e Espanha, e lançou, no final do ano, um novo programa: “Embaixadores”. Uma espécie de “caça-talentos”, dentro das universidades.

Para 2017, a startup quer duplicar o número de colocações de candidatos em Portugal, alcançar 50 novos clientes e “chegar a mais países”. Com 30 pessoas a trabalhar em Portugal e Espanha, a Unono está a recrutar. Até ao final do ano, quer duplicar o número de colaboradores.