A Galp Energia vai avaliar investimentos na energia de baixo carbono, uma tendência de longo prazo que a empresa não pode ignorar. “É uma ambição, mas não um compromisso”, disse o presidente executivo da petrolífera, Carlos Gomes da Silva, numa apresentação aos investidores em Londres, onde esteve também a nova presidente não executiva da empresa, Paula Amorim. O plano de negócios para os próximos cinco anos prevê um montante não quantificado de investimento em energias de baixo carbono.

Questionado sobre os valores e os projetos, o presidente da Galp foi vago. Começando por sublinhas que o petróleo e o gás natural vão continuar a ser “nucleares” na estratégia da empresa, Gomes da Silva admitiu que a empresa terá de que se reajustar a uma tendência de longo prazo na direção do baixo carbono, em contraste com decisões de um passado recente que resultaram num desinvestimento na produção em energia renovável. A Galp era um dos maiores acionistas da Ventinveste, consórcio que ganhou o segundo lote para a instalação de parques eólicos, decidido ainda durante o Governo de Sócrates, mas acabou por reduzir a sua participação acionista neste projeto que, por sua vez, cedeu o desenvolvimento de uma parte da potência atribuída à EDP Renováveis.

Em conversa com os jornalistas, o presidente da Galp explicou a aparente contradição. “Queremos ter negócios no mercado, não queremos negócios subsidiados”, numa referência às tarifas garantidas dos primeiros contratos eólicos. O gestor recusa a ideia de que a Galp esteja a chegar tarde às renováveis. “Chegamos na altura em que a tecnologia se torna competitiva em mercado. Acho que é o momento.”, sublinhou, fazendo referência à energia solar que em 2016 já conseguiu ser produzida a um custo de mercado. Outra área em que ninguém está ainda a apostar é a eficiência energética, acrescenta.

E que projetos na área das renováveis? Gomes da Silva diz que serão na oferta de energia primária, incluindo o reforço na produção de gás — sobretudo por via do projeto de Moçambique — , e na geração de energias renováveis. E acrescenta que os investimentos nesta área vão surgir à medida que os projetos na área de exploração e produção recentes, em particular no Brasil, comecem a gerar um retorno positivo, o que deverá acontecer a partir deste ano e em 2018. Gomes da Silva admite ainda que estes investimentos sejam feitos fora do espaço ibérico.

Apesar da piscadela de olhos às renováveis, a Galp continua focada no petróleo e no gás que vão, acredita o presidente executivo, continuar a desempenhar um papel fundamental na oferta de energia primária. O desenvolvimento da produção de combustíveis fósseis domina o plano de negócios conhecido esta terça-feira que prevê investimentos de cinco mil milhões de euros até 2021, direcionados sobretudo para a duplicação da produção.

Segundo Gomes de Silva, o mundo vai precisar de mais 30 milhões de barris por dia adicionais nos próximos anos, o que significa que “vamos ter tempo para fazer a transição para o baixo carbono”. Mas independentemente do maior ou menor força dos combustíveis fósseis, e do impacto que as prioridades da presidência de Donald Trump venha a ter no mundo da energia, a Galp tem de estar prepara para reposicionar a sua estratégia para a tendência do baixo carbono.

A jornalista viajou para Londres a convite da Galp