Reduzir o consumo do plástico, mas também incentivar à reciclagem e à transformação destes resíduos em arte foi o desafio da LisbonWeek 2017, um projeto cultural que em cada edição oferece ao público várias propostas para explorar um bairro da cidade, durante uma semana. Este ano foi escolhido o Lumiar.

A ideia de criar um projeto educativo associado ao evento surgiu pelo facto de existir um grande número de instituições públicas e privadas na freguesia. Começou a ser desenvolvido em outubro passado e terminou no fecho da 4ª edição do LisbonWeek, a 2 de abril deste ano. Entre 25 de março e esta data esteve em exposição no Parque da Quinta das Conchas a obra criada pelos alunos: uma estrutura de quatro quilos de plástico recolhido na praia de Algés, desenhando a frase “Salvem os Oceanos”, para a qual cada escola criou uma letra. A frase apela a uma atitude de relação consciente com a natureza, em nome de um futuro sustentável.

A abordagem do tema “foi um desafio, pois contribuímos e colaborámos favorecendo uma cultura de participação e corresponsabilidade a favor das comunidades e causas relevantes para a cidade, tendo o resultado sido bastante positivo”, garante Ilda Magro. A responsável pelo projeto educativo, representando a Câmara Municipal de Lisboa (CML), coprodutora do LisbonWeek, sublinha a importância deste tipo de trabalho junto das populações mais novas “uma vez que elas são o futuro”.

Ações de sensibilização e exemplos práticos

O projeto educativo arrancou em outubro e envolveu mais de dois mil alunos dos 6 aos 12 anos de 13 escolas e colégios da freguesia do Lumiar, assim como os respetivos professores. Esta primeira fase, realizada em parceria com o Oceanário de Lisboa, incluiu visitas às escolas em ações de sensibilização que explicaram “as causas e os resultados do lixo marinho para o ecossistema”. A formação teórica em aula foi sendo complementada com exemplos práticos do dia-a-dia. Patrícia Filipe, diretora de Educação e Comunicação do Oceanário de Lisboa, lembra que esta etapa “constitui uma mais-valia para os alunos, enquadrando o tema e sensibilizando para a necessidade urgente” de se redesenhar a relação com o plástico.

A segunda e terceira fases do projeto aconteceram já em 2017. Deram continuidade ao debate sobre a sustentabilidade do planeta, mas com um caráter mais prático e criativo. Primeiro com uma recolha de lixo no areal de Algés que juntou alunos, professores e respetivas famílias, depois com a transformação dos resíduos em arte. A separação dos materiais encontrados esteve sob orientação dos professores e em coordenação com a Skeleton Sea, uma empresa dedicada à produção de obras de arte a partir do lixo recolhido nas praias e oceanos. Ao longo de três meses foram realizados workshops criativos para que os jovens artistas realizassem a obra.

As crianças mudam de hábitos e ensinam os adultos

Os alunos estiveram motivados ao longo do projeto, e gradualmente “mais atentos e conscientes” dos problemas ambientais. De acordo com o que foi sendo relatado por pais e educadores, começaram a mudar os hábitos e a convencer os adultos a fazerem o mesmo. Entre outras coisas, “passaram a levar o lanche em recipiente reutilizável e a reciclar, e proibiram os pais de deitar cotonetes (o lixo que mais aparece nas praias) e cigarros na sanita”, explica Ilda Magro. Cumpria-se o objetivo da iniciativa que era precisamente “oferecer as ferramentas necessárias para a alteração de comportamentos nos diferentes contextos, criando um impacto positivo na vida das crianças e, naturalmente, nas suas famílias”. Não estão previstas novas ações, mas o projeto poderá “ser replicado no futuro, noutros bairros da cidade, considerando a sua importância”, resume Ilda Magro.

Este projeto educativo piloto do LisbonWeek contou com o patrocínio da EMEL e do Santander Totta, e o apoio do Oceanário de Lisboa, da ValorSul e da Sociedade Ponto Verde.

Para o Santander Totta faz todo o sentido apoiar o projeto “uma vez que combina dois âmbitos de atuação que consideramos prioritários na nossa política de sustentabilidade: o ensino e o meio ambiente”, revela Rui Miguel Santos, responsável do Gabinete de Sustentabilidade do banco Santander Totta. Acrescenta ainda que desenvolvem diferentes programas de responsabilidade social, sendo a educação o principal foco de atuação, pois acreditam “que é um dos principais fatores para o desenvolvimento sustentável das sociedades”. Os alunos do ensino superior têm sido o público-alvo privilegiado, mas com o apoio ao projeto do LisbonWeek, destinado a crianças do ensino público e privado, o Santander Totta alarga o ângulo de ação. Por outro lado, o banco reforça o seu compromisso em matéria de responsabilidade ambiental, área onde tem vindo a desenvolver medidas de eficiência energética e redução de consumos, bem como de promoção de práticas sustentáveis junto dos colaboradores. Rui Miguel Santos destaca ainda o alargamento da sede operacional e o novo Plano de Redução de Consumos da empresa “que prevê uma redução energética na ordem dos 9% entre 2016 e 2018”.