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Estados Unidos da América

Diretor do FBI: “Deixa-me maldisposto pensar que poderíamos ter tido impacto nas eleições”

O diretor do FBI foi ouvido esta quarta-feira no Senado. Em causa esteve a decisão que tomou a 28 de outubro, de notificar o Congresso de novos emails sobre a investigação a Clinton.

Justin Sullivan/Getty Images

O diretor do FBI, James B. Comey, defendeu esta quarta-feira a sua decisão de notificar o Congresso sobre novos emails relacionados com a investigação a Hillary Clinton a menos de duas semanas das eleições presidenciais norte-americanas. Numa audiência no Senado, disse que qualquer sugestão de que essa decisão possa ter influenciado o resultado deixa-o “maldisposto”, mas também que a Rússia é uma ameaça global.

Deixa-me maldisposto pensar que poderíamos ter tido impacto nas eleições”.

Segundo o New York Times, estas são as primeiras declarações de Comey sobre as suas ações, tomadas nos dias anteriores às presidenciais americanas, que acabaram com a eleição de Donald Trump a 8 de dezembro de 2016.

Ainda esta terça-feira foi notícia que Hillary apontou o dedo a James B. Comey — mas também aos “hackers” russos –, responsabilizando-o, em parte, por não ter sido eleita presidente dos EUA.

O diretor do FBI enviou uma carta escrita ao Congresso a 28 de outubro, na qual assumia que a candidata democrata poderia ter “violado a lei” ao ter usado um servidor privado de e-mail enquanto secretária de Estado no primeiro mandato de Barack Obama. Aos membros do Congresso norte-americano escreveu:

O FBI teve conhecimento da existência de emails que parecem pertinentes para a investigação e deve tomar as medidas de investigação adequadas para permitir que os investigadores avaliem esses emails, para determinar se eles contém informações secretas, bem como para avaliar a sua importância para a investigação.”

“Ocultar, no meu ponto de vista, seria catastrófico.”

“Baseei toda a minha carreira na tradição de que, se possível, evita-se qualquer ação que, antes de uma eleição, possa ter algum impacto”, disse James B. Comey, referindo-se à maneira como tomou a decisão do passado dia 28 de outubro. Não enviar a respetiva carta ao Congresso seria, na sua opinião, “um ato de ocultação”. “Falar seria muito mau, porque havia uma eleição em onze dias. Ocultar, no meu ponto de vista, seria catastrófico.”

O diretor do FBI garantiu que tratou de forma igual os e-mails de Donald Trump e de Hillary Clinton.

Questionado sobre se o atual presidente dos Estados Unidos da América possa vir a ser um alvo de investigação do FBI, afirmou que isso consiste em “especulação injusta”. “Nós seguimos as provas onde quer que elas nos levem”, disse, para depois defender-se: “Não estou do lado de ninguém”.

Vale a pena lembrar que, em março deste ano, Comey revelou perante os senadores que as ligações russas à campanha presidencial de Donald Trump estavam a ser investigadas, tendo, inclusive, admitido que “se é do interesse público, nós divulgamos”.

James Comey garantiu esta quarta-feira que não serviu de fonte anónima para a criação de notícias sobre a investigação em torno de Hillary Clinton, quando esta ainda estava na posição de candidata democrata às eleições presidenciais, e que não autorizou que ninguém assumisse esse papel.

Rússia, a “grande ameaça de qualquer nação”

Durante a audiência desta quarta-feira, Comey disse ainda que “é correto” afirmar que a Rússia pode “eventualmente ser capaz de alterar os votos” [nas eleições] caso os Estados Unidos não impeçam tais medidas, apesar de garantir que o país de Vladimir Putin não o fez nas eleições de 2016. Para o diretor do FBI é igualmente “correto” afirmar que a Rússia providencia refúgio a criminosos cibernéticos e que deveria pagar um preço por interferir no sistema político dos Estados Unidos.

O diretor do FBI confirmou que a Rússia ainda interfere com a política norte-americana e que representa a maior ameaça de qualquer nação no mundo. “Do meu ponto de vista, [é] a grande ameaça de qualquer nação na terra tendo em conta as suas intenções e capacidades.”

WikiLeaks “não é jornalismo”

Referindo-se agora à WikiLeaks, Comey garantiu que esse é um ponto muito importante, ao qual o FBI não é indiferente — de referir que, para a administração de Donald Trump, a detenção de Julian Assange é “uma prioridade”. Questionado sobre se a WikiLeaks é ou não uma organização jornalística, o diretor do FBI referiu que esta não cumpre a missão de jornalismo, uma vez que não tem uma função educativa, usando mesmo a expressão “intelligence porn” para a definir. Comey afirmou que, relativamente à WikiLeaks, “nada cheira a jornalismo”.

“Não me posso comprometer”

Às últimas perguntas colocadas, no final da audiência, James Comey respondeu sucessivas vezes “Não me comprometo.” “A Casa Branca está a colaborar na investigação?” ou “Vai explicar os resultados assim que a investigação estiver concluída?” foram algumas das perguntas que obtiveram uma resposta inconclusiva por parte do diretor do FBI. “Não sei onde é que a investigação vai acabar.”

“Contaria a este comité se houvesse falta de cooperação da Casa Branca?”, questionou um dos senadores. “Não me posso comprometer com isso”, respondeu Comey.

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