Emmanuel Macron tem uma agenda preenchida: esta segunda-feira, depois de almoço, apresentou o próximo primeiro-ministro de França e, ao fim da tarde, já estava em Berlim, numa conferência de imprensa ao lado da Chanceler alemã, Angela Merkel. O novo Presidente francês pediu “uma refundação histórica da Europa” e disse não ter “tabus” em relação “à renegociação dos tratados europeus”.

Macron tem sido criticado, tanto pela esquerda como pela direita, por estar “demasiado próximo” da União Europeia, demasiado “dentro do sistema”. Em Berlim fez ouvidos moucos a essas críticas e não se deslocou nem um centímetro do caminho que o levou à presidência, elegendo como prioridade do seu mandato “manter uma política forte e intensa com a Alemanha”.

Questionado sobre a sua visão para o futuro das relações franco-alemãs, Emmanuel Macron disse que a Europa está a atravessar “um momento histórico”, com “a ameaça da ascensão do populismo” que é “o resultado direto da duvida, raiva e insatisfação que assola as pessoas”. Por isso, propõe Macron, “o dever conjunto da França e da Alemanha é restaurar a plena confiança” no projeto europeu.

Admitindo as dificuldades com as quais o seu país se depara, Macron disse que “tem que implementar as reformas que a França necessita”, focando, como exemplo, o desemprego que não baixa dos 10%. Para Macron, que falou para uma sala cheia de jornalistas, a Europa tem que ser “menos burocrática” e “proteger mais os seus cidadãos e as suas empresas”. O sucesso da Europa, defendeu o novo presidente francês, está diretamente ligado ao “sucesso da relação entre os dois países”: a França e a Alemanha.

Dando mais tempo a Macron do que aquele que tomou para ela própria, a chanceler alemã disse, quase pelas mesmas palavras, que os interesses da França estão intimamente ligados aos da Alemanha e anunciou querer “ir mais longe na relação bilateral”. Para isso, Merkel propôs a organização de um conselho de ministros franco-alemão, após as eleições parlamentares em França (11 e 18 de junho), para “desenvolver um roteiro para a construção de União Europeia”, “analisar as consequências do Brexit” e “entender como melhorar e re-impulsionar a zona euro”.

“Pessoalmente, estou plenamente consciente da nossa responsabilidade, nesta fase crítica da União Europeia, para tomar as decisões certas”, finalizou a chanceler.

Em resposta a uma pergunta sobre o sinal dado pela nomeação do chefe de governo, Édouard Philippe, Emmanuel Macron também salientou a sua determinação em continuar a “recomposição política” que “se abriu em França” pela sua eleição. “A recomposição política que começou há vários meses e que levou à minha eleição está em curso e foi por isso que o povo francês me escolheu”, disse Macron.

À espera de Macron estavam centenas de pessoas, coisa que não se via desde que Barack Obama visitou Berlim. Os jornalistas quiserem saber qual foi a sensação de ver essas pessoas, com cartazes onde se lia “Em nome da Amizade”.

“Sem a Europa não teríamos nem paz, nem liberdade nem prosperidade. Se esquecermos esse legado precioso, colocamos o futuro em risco. O que eu quero é, dentro de cinco anos, ver lá fora a mesma multidão, porque isso significaria que melhorámos a Europa”, acrescentou.