O Primeiro-Ministro não considera candidatar outra cidade que não Lisboa para acolher a Agência Europeia do Medicamento (EMA), por “ser fator de preferência a existência de Escola Europeia, que só Lisboa poderá vir a ter”, revela uma carta enviada ao presidente da Câmara do Porto.

A carta, a que a Lusa teve acesso, foi enviada a Rui Moreira na semana passada e mencionada esta terça-feira, em reunião de Câmara do Porto. Nela, António Costa diz ser “o primeiro a lamentar não ter sido possível candidatar o Porto porque muito gostaria de também, por esta via, contribuir para reforçar a crescente internacionalização da cidade”.

No entanto, por motivos de “conveniência da proximidade do Infarmed” e também por Lisboa já ter outra agência europeia, Costa acredita que, com as três sedes em Lisboa, seria possível criar uma Escola Europeia. E considera a questão fechada.

A discussão foi trazida à reunião de Câmara pelo vereador do PS Manuel Pizarro, que pediu que a Câmara do Porto constituísse uma comissão para candidatar o Porto à sede da EMA. Depois de revelar o conteúdo da carta, Rui Moreira disse que estava disposto a votar a proposta de Manuel Pizarro, desde que o Primeiro-Ministro aceite revogar a resolução em que dá por definitivo que candidatará Lisboa. E pediu ao vereador socialista para dizer se estaria em condições de garantir junto de Costa que haveria essa abertura.

Rui Moreira tem-se mostrado contra a decisão de Portugal candidatar Lisboa para acolher a agência que, por causa do Brexit, terá de sair do Reino Unido e encontrar um novo país de acolhimento. E considera mesmo que candidatar novamente Lisboa, que já tem uma agência europeia, é uma fraqueza da candidatura portuguesa. O autarca deu vários exemplos na Europa. Espanha, por exemplo, discutiu o assunto desde julho de 2016, depois do Governo ter aberto a discussão nacional. Barcelona foi a cidade escolhida, num país que já acolhe cinco agências europeias — nenhuma em Madrid. E lembrou que a Escola Europeia, em Espanha, fica em Alicante.

No final da discussão, a proposta foi aprovada por unanimidade, com a condição de que o Governo reverta a resolução do Conselho de Ministros, que estabelece Lisboa como cidade a candidatar. Portugal tem até 31 de julho para apresentar a sua candidatura.

Notícia corrigida às 19h15: a proposta não foi retirada. Foi, sim, aprovada com uma condição.