Quando David Elleray, atual diretor técnico do International Football Association Board e antigo árbitro internacional da Premier League, esteve presente no Football Talks organizado pela Federação para falar do vídeo-árbitro, não pudemos deixar de reparar numa curiosidade: à primeira vista, os holandeses do Cambuur eram a equipa mais sortuda, beneficiando da anulação de dois golos sofridos na Taça com Utrecht e AZ Alkmaar. Agora, na Taça das Confederações, o vídeo-árbitro continua em destaque. E Mabouka é o mais “azarado”.

O lateral direito que joga desde 2010 nos eslovacos do Zilina foi titular nos três encontros dos Camarões na prova (Hugo Broos fez sempre alinhar a mesma equipa inicial, apesar de ter somado apenas um ponto em três jogos). No primeiro, frente ao Chile, até fez uma exibição competente, como o resto da equipa, cedendo nos minutos finais. Em desvantagem, após um golo de Vidal, a equipa arriscou mas acabou por consentir um golo em contra-ataque por Vargas, na recarga após remate de Alexis Sánchez. O vídeo-árbitro foi pedido e deu razão aos adversários de Portugal nas meias-finais. E Mabouka era um dos que estava a colocar em linha o avançado do Arsenal no início da jogada.

Seguiu-se o encontro com a Austrália. Que até começou bem, com Anguissa a inaugurar o marcador pouco antes do intervalo. Era um encontro fundamental para as duas equipas, caso quisessem manter em aberto as aspirações a chegar às meias-finais, mas o lateral direito travou em falta na área Gersbach e o árbitro assinalou grande penalidade. A reação do jogador até nos deixou na dúvida, porque parecia mesmo que não tinha feito nada, mas mais uma vez o vídeo-árbitro foi chamado e ficou bem comprovado que tinha mesmo havido falta sobre o australiano. O capitão Mark Milligan conseguiu converter o castigo máximo e a partida terminou empatada.

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Hoje, frente à Alemanha, Mabouka voltou a ser protagonista. De novo pelas piores razões, de novo com a ajuda do vídeo-árbitro: aos 64 minutos, na sequência de uma entrada violenta sobre Emre Can, o árbitro pediu ajuda das imagens (e hoje Artur Soares Dias era o vídeo-árbitro número 1) e foi ele próprio ver as repetições à televisão colocada no terreno. E foi duas vezes: primeiro, para perceber se o amarelo mostrado tinha sido correto (que não foi, sacando depois o vermelho); depois, e perante a incredulidade dos jogadores camaroneses, para confirmar quem tinha sido o elemento a cometer falta. Não foi Siani, mas sim Mabouka. Que acabou expulso. Mas nem por isso a contestação ao vídeo-árbitro acabou: a decisão de ter trocado o cartão amarelo pelo vermelho não recolheu opinião unânimes…