Jimi Taro Patrick, 19 anos, caloiro do curso de Gestão na Universidade de Loyola, no Maryland, foi o primeiro: na passada quinta-feira, 6 de julho, não apareceu no restaurante onde arranjou trabalho durante as férias e não voltou a dar notícias aos avós, com quem vivia, no condado de Bucks, num subúrbio a apenas 30 km de Filadélfia, nos Estados Unidos.

Mark Sturgis, de 22, Tom Meo, de 21, e Dean Finocchiaro, de apenas 18, foram dados como desaparecidos no dia seguinte. Os dois primeiros, melhores amigos e colegas na empresa de construção do pai de Sturgis, foram vistos pela última vez por volta das 18h.

Finocchiaro terá apanhado uma boleia cerca de meia-hora depois, as autoridades locais não revelaram ainda de quem, e também se esfumou. Os seus restos mortais são os únicos já identificados pela polícia, que descobriu os corpos numa fossa com 4 metros de profundidade na quinta dos pais de Cosmo Dinardo, 20 anos, que esta quinta-feira confessou a autoria dos quatro homicídios.

Foi logo no sábado, dia 8, que as autoridades localizaram o telemóvel de Finocchiaro, amigo de DiNardo no Facebook e com dois processos criminais pendentes no tribunal local, relativos a prisões no início do ano, por “posse de drogas, assalto simples, conspiração e assédio”, na quinta de 36 hectares da família em Solebury. Apesar de não terem encontrado o rapaz, deram com o carro de Meo, um Nissan Maxima bege que, perceberiam depois, DiNardo já teria tentado vender. Lá dentro, além do registo de propriedade, estavam as chaves e o kit de insulina do jovem, diabético. Horas depois, a pouco mais de 3 km de distância, encontraram o carro de Sturgis.

O depoimento que recolheram nesse mesmo dia de um homem a quem DiNardo teria tentado vender o Nissan por 500 dólares, aliado às relações que, começaram a perceber, existiam entre ele e os quatro desaparecidos — tinha sido colega de Patrick na escola preparatória e conhecia Sturgis e Meo há uns tempos, desde que lhes “tinha tentado vender marijuana” –, fizeram com que as investigações se centrassem definitivamente no jovem, de 20 anos.

Ainda assim, só na passada quarta-feira, uma semana depois de Jimi Taro Patrick ter sido visto pela última vez, é que Cosmo DiNardo foi detido, e apenas pela tentativa de venda indevida do carro. Segundo explicaram as autoridades, foi uma forma de “ganhar tempo” e desenvolver a investigação que esta quinta-feira culminou com a descoberta dos corpos dos jovens desaparecidos na propriedade, que já foi apelidada pela imprensa como a “quinta do inferno”.

“Estamos seriamente a pensar acusar DiNardo de homicídio. Isto é homicídio, disso não há dúvidas. Resta saber é de quantos”, disse Matthew Weintraub, procurador do condado de Bucks à imprensa, depois de os restos mortais terem sido desenterrados. Escassas horas mais tarde, Cosmo DiNardo confessou os quatro crimes e implicou ainda um cúmplice, cuja identidade não foi revelada e que não estará ainda sob custódia das autoridades.

Paul Lang, advogado do jovem, disse aos jornalistas que, através da cooperação com as autoridades, DiNardo garantiu que uma condenação à morte não será hipótese em tribunal — aliás, como aponta o The Washington Post, a pena capital, apesar de prevista no estado da Pennsylvania, raramente é aplicada, tendo sido executados três criminosos desde 1976.

Fonte próxima da investigação revelou que DiNardo, que já tinha um processo pendente por posse de armas, confessou ter assassinado os jovens um a um, depois de lhes ter vendido marijuana, e queimado os corpos, que depois atirou para a fossa. “Peço desculpa”, disse para os microfones que o esperavam à saída do tribunal.