A advogada russa que esteve reunida com membros de topo da equipa de Donald Trump durante a campanha eleitoral de 2016, Natalia Veselnitskaya, trabalhou entre 2005 e 2013 para a FSB, a agência de serviços secretos da Rússia.

A notícia é avançada pela Reuters, que refere ter tido acesso a documentos que dizem respeito a um processo na justiça russa em que Veselnitskaya representou, enquanto advogada, os serviços secretos russos. O caso em questão opôs a Unidade Militar 55002 (que pertence à FSB) e Agência de Propriedade Federal numa disputa por um edifício ocupado por aquele órgão dos serviços secretos russos. O tribunal deu razão à Agência de Propriedade Federal.

Veselnitskaya saltou para as primeiras páginas dos jornais quando o The New York Times escreveu que a advogada russa esteve reunida com o filho mais velho de Trump, Donald Trump Jr., além do seu cunhado, Jared Kushner, e do seu então diretor de campanha, Paul Manafort.

Numa troca de emails divulgada pelo próprio Donald Trump Jr., ficou demonstrado que o filho mais velho do então candidato republicano às eleições presidenciais foi contactado por um ex-jornalista britânico, Rob Goldstone. Este contactou Trump Jr. em nome de Emin Agalarov, cantor pop russo e filho do oligarca Aras Agalarov, com quem Trump fez negócios. No e-mail, era dito que uma “advogada do Governo russo” tinha “documentos oficiais” que podia “incriminar” Hillary Clinton e, consequentemente, dificultar a sua campanha eleitoral.

“Obviamente isto é informação [vem] de um nível muito alto e que é sensível, mas é parte do apoio da Rússia e do seu governo a Trump”, escreveu Goldstone. Trump Jr. respondeu-lhe: “Se é aquilo que me estás a dizer, adoro, especialmente mais à frente no verão”. A troca de e-mails foi reencaminhada para Kushner e Manafort, que acabaram por estar presentes na reunião com Veselnitskaya.

De acordo com a versão de Trump Jr., a reunião acabou por não dar os frutos de que a equipa do agora Presidente dos EUA esperaria, com Veselnitskaya a concentrar-se no combate à Lei Magnitsky de 2012, que impôs uma série de sanções contra a Rússia e algumas personalidades de topo do Kremlin. Porém, essa defesa não impediu os críticos de Trump Jr. de apontarem que ele aceitou a reunião na esperança de ter acesso informação do Kremlin para ajudar a campanha do seu pai.