Terrorismo

Marcha em Barcelona. Meio milhão mostrou que não tem medo, mas houve assobios a Filipe VI e a Rajoy

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Manifestação convocada sob o lema "não temos medo" após os atentados em Barcelona juntou meio milhão de pessoas. Filipe VI participou. Um gesto inédito do rei que não foi poupado a assobios.

Os atentados, em Barcelona e Cabrills, onde mataram 15 pessoas, entre as quais duas portuguesas

Getty Images

Uma manifestação contra o terrorismo, convocada sob o lema “não temos medo” (no tinc por em catalão) após os atentados na Catalunha, juntou este sábado, em Barcelona, milhares de pessoas, em resposta ao apelo das autoridades locais mas também do primeiro-ministro de Espanha. De acordo com as estimativas mais recentes, estiveram na rua cerca de meio milhão de pessoas, apenas na capital da Catalunha.

Na linha da frente desta manifestação, que arrancou às seis horas locais (cinco horas em Portugal) estavam médicos e pessoal de saúde, forças de segurança e comerciantes das Ramblas, o coração da cidade que foi atingido pelo ataque terrorista de 18 de agosto. O Rei Filipe VI fez questão de estar presente, numa iniciativa inédita para um monarca espanhol. Com este ato histórico, o Rei quis dar o máximo destaque para a rejeição de Espanha aos atentados jihadistas do passado dia 17 de agosto em Barcelona e Cambrils.

Mas o gesto do monarca não foi bem recebido por todos, com Filipe a suscitar alguns assobios de catalães, que levaram até o autarca de Barcelona a pedir aos participantes que valorizassem o apelo à paz. A Catalunha vai realizar um referendo no dia 1 de outubro sobre a independência em relação a Espanha que não é reconhecido pelas autoridades de Madrid. O líder do Governo, Mariano Rajoy, também foi alvo de vaias por parte dos defensores da independência da Catalunha, a ponto do El Pais escolher como título da cobertura online: Independentismo boicota marcha unitária de Barcelona.

Organizada pela Câmara Municipal de Barcelona e pelo governo regional da Catalunha, liderados por Ada Colau e Carles Puigdemont, respetivamente, a manifestação foi secundada por concentrações noutras cidades, como Madrid, Valência, Alicante, Castelló e Vigo, com o mesmo lema. A manifestação foi organizada após os atentados da semana passada, em Barcelona e Cabrills, onde morreram 15 pessoas, incluindo duas portuguesas, e mais de 100 ficaram feridas. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, juntou-se ao apelo pedindo, sexta-feira, a todos os espanhóis para participarem nas concentrações, manifestando o seu carinho pela Catalunha e a sua capital.

A manifestação terminou na Praça da Catalunha, com uma ação que durou cerca de 10 minutos e durante a qual se ouviu música de Pau Casals e foram lidos textos de Frederico García Lorca e de Josep Maria de Sagarra. O momento terminou com os manifestantes a cantarem a frase “No tinc por”. O ato foi conduzido pela atriz Rosa Maria Sardà e pela porta—voz da Fundação Ibn Battuta, Míriam Hatibi, que leram um manifesto onde reiteravam “Não temos medo”.

“Os que hoje estamos aqui viemos para gritar bem alto e a uma só voz: Não tenho medo”, constava no manifesto lido em catalão e castelhano. Dessa forma, o manifesto deixou claro que Barcelona “não tem medo de expressar [a sua] dor pelas vítimas, pêsames e solidariedade com as famílias, amigos e todas as pessoas afetadas por este ato tão cobarde”.

Não temos medo de condenar estes crimes que só pretendem provocar o terror através da morte e da devastação para tentar romper o nosso modelo de convivência”, constava no manifesto. De seguida, disseram que a cidade não sente medo porque está protegida pelas forças de segurança, sentindo-se orgulhosa da rápida resposta das equipas de emergência, bombeiros, pessoal médico e hospitais, serviços sociais, funcionários públicos, uma referência que foi acolhida por um forte aplauso.

Não conseguirão dividir-nos porque não estamos sozinhos. Somos muitos milhões de pessoas que condenam a violência e defendem a convivência em Manchester e em Nairobi, em Paris ou Bagdade, em Bruxelas e Nova Iorque, em Berlim ou Cabul”, leram.

O momento, idealizado com a colaboração do diretor do Teatro Lliure, Lluís Pasqual, prosseguiu com uma atuação dos violoncelistas Peter Thiemman e Guillem Gràcia, que interpretaram “O canto dos pássaros”, uma canção popular catalã da autoria de Pau Casals, enquanto eram projetadas imagens de como a cidade viveu nos dias anteriores ao ataque.

Em declarações aos jornalistas, aquando da convocação da manifestação, os dois dirigentes catalães convidaram todos os organismos de Estado, instituições e organizações sociais para se juntarem a esta iniciativa que, disseram, visa unir todos os cidadãos para levantar as suas vozes contra a atrocidade de ataques terroristas.

“Queriam-nos de joelhos na Rambla mas levantámo-nos e pusemo-nos de pé com mais força e com o grito de ‘não temos medo’ que já se ouviu em todo o mundo”, assegurou Puigdemont, que disse que a Catalunha “é um país da diversidade e quer que continuar a sê-lo”

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