A montanha onde a Coreia do Norte tem realizado a maioria dos seus testes nucleares “pode estar em risco de colapsar”, segundo a análise de um cientista chinês feita para o jornal de Hong Kong South China Morning Post.

Depois de analisar e medir as ondas de choque causadas pelas explosões, os investigadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da cidade de Hefeu, na China, confirmaram que todos os testes nucleares foram realizados no mesmo sítio, a montanha de Mantapsan, onde fica Punggye-ri, local onde a Coreia do Norte tem testado o seu arsenal. Os dados publicados pela universidade levaram a que Wang Naiyan, antigo diretor da Associação Nuclear da China, comentasse acerca do perigo do permanente bombardeamento da montanha. “Estamos em risco de um enorme desastre ambiental. Um novo teste pode levar a montanha a colapsar sobre si mesma, deixando apenas um buraco cheio de material radioativo que se espalharia pela região”, disse Wang.

À explosão de domingo passado, seguiu-se um terramoto que terá ultrapassado os cinco graus na escala de Richter. A Coreia do Norte tremeu, mas o nordeste da China também, assustando os cidadãos que só souberam que o abanão tinha sido provocado por uma bomba no dia seguinte.

“Quanto tempo a montanha ainda se aguentará depende do local para onde as bombas sejam disparadas”, disse ainda Wang. “Se as bombas fossem lançadas para o fundo de túneis escavados verticalmente fariam menos estragos, mas estes túneis são difíceis e caros de construir e não é tão fácil instalar neles sensores para medir a intensidade da bomba e recolher dados sobre a operação”, acrescentou o especialista.

O facto de existir a suspeita de que os túneis tenham sido escavados na horizontal levou Wang a prever que o “telhado da montanha” possa rebentar com a força das bombas que explodem na base. “Uma bomba de 100 quilotoneladas é uma bomba relativamente grande. O governo norte-coreano devia parar estes testes, já que eles expõem a população a elevados riscos, não só dentro da Coreia do Norte mas também em outros países, como a China”. As mediações de radiação realizadas pelo governo chinês na segunda-feira não detetaram valores fora do comum.