Ganhar as autárquicas não é obsessão, mas Passos não esconde a ambição em ficar em primeiro. O líder do PSD foi mais longe e salientou, na entrevista desta noite à CMTV, que uma vitória para o partido seria “ter o maior número de mandatos relativamente ao PS” – que, aliás, foi o que aconteceu nas últimas legislativas, como lembrou.

A entrevista incidiu sobre as próximas Autárquicas e Passos Coelho sublinhou que está satisfeito com a escolha de Teresa Leal Coelho para representar o partido. E lembrou: não há resultados pré-determinados.

Se me sinto confortável com a escolha que fiz e que propus ao PSD Lisboa? Estou. Acho que o resultado está longe de estar feito. Acho que não há resultados feitos à partida”, lembrou Passos.

Ainda assim, o social-democrata não esconde que Fernando Medina é o candidato preferido à Câmara, mas recomenda “mais humildade nas análises”. “Concordo que Fernando Medina é favorito porque é o presidente da Câmara Municipal. Só por haver um certo favoritismo não quer dizer que ele seja o vencedor”.

Ainda sobre Medina, o líder do PSD diz que o partido não vai “fazer campanha com o caso da casa de Fernando Medina“.

Não estou a dizer que a questão não tenha relevância. Há circunstâncias que deixam dúvidas, mas haverá lugar à investigação. Antes de termos conhecimento sobre se o que aconteceu tem algo de errado, não vamos partir para uma campanha de suspeição em torno disso. É aquilo que cada eleitor poderá no seu íntimo avaliar”.

Passos Coelho referia-se ao facto de o atual presidente da câmara de Lisboa não ter declarado a compra de duplex ao Tribunal Constitucional – como foi noticiado pelo Observador – e de alegadamente ter comprado por um preço abaixo do mercado, mas crítica o atual presidente de não inovar nas propostas para a cidade: “O que interessa é que Lisboa merecia mais e o que se promete para os próximos quatro anos não é muito diferente disso“, atacou.

Medina não declarou ao Tribunal Constitucional compra de ‘duplex’ de 645 mil euros

Coligação pós-eleitoral? Passos diz que há “capacidade para entendimentos”

Passos Coelho também não fechou portas a uma possível coligação pós-eleitoral com os centristas. Nas palavras do social-democrata, “o PSD e o CDS-PP tem um histórico que mostra que é relativamente natural poder haver entendimentos“. Passos explica que, embora tal não tenha sido “possível para a campanha propriamente dita”, essa hipótese não traz “mal nenhum ao mundo”.

Relativamente ao apoio à candidatura pela cidade do Porto, Rui Moreira, Passos mostra a confiança no seu candidato, mas não ignorou o facto de estar bem presente na memória a “derrota” do partido nas últimas autárquicas quando o PSD foi o terceiro partido mais votado.

A avaliar pelo resultado do PSD, não é preciso ser bruxo para perceber que houve um eleitorado tradicionalmente afeto ao PSD que acabou por transferir a sua escolha para o Rui Moreira. Nessa altura houve várias polémicas que talvez tivessem ajudado a que isso acontecesse. Creio que isso hoje está ultrapassado”, acredita Passos.

Passos Coelho também não deixou de comentar a situação do que aconteceu em Tancos ou dos incêndios de Pedrógão Grande. Para o líder do PSD, “o Presidente da República é a última pessoa a ter de dar explicações sobre o que se passou em Pedrógão“. Passos diz que pedir explicações a Marcelo pelo que se passou “não lembra ao careca”, mas considera importante que haja apuramento de responsabilidades pelo que se passou em ambas as situações.

Pedro Passos Coelho termina a entrevista com um ataque à política do atual Governo, que apelida de “desinvestimento” e acusa ainda o PS de uma “dissimulação” ao apropriar-se dos bons indicadores económicos que o líder do PSD considera serem fruto das políticas dos seus Governos.