Guia Michelin

Estrelas Michelin. Que restaurantes portugueses as vão ganhar? Estas são as nossas 11 apostas

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Falta pouco para o anúncio dos vencedores das estrelas Michelin em Portugal e Espanha. Haverá novas entradas? Portugal terá o primeiro três estrelas? Conheça as apostas do Observador.

Há mais ou menos um ano, na cidade de Girona, em Espanha, a alta cozinha portuguesa viveu um momento importante: o país passou de 17 estrelas Michelin em 14 restaurantes para 26 em 21 espaços. Por outras palavras, ganhou 9 astros num ano. Dia 22, esta quarta feira, há uma nova cerimónia — realiza-se em Tenerife, no Hotel Ritz Carlton. As expectativas não estão tão inflamadas como estavam em 2016, quando começaram a circular rumores de que ia haver “um ano bombástico” e que Portugal ia “dobrar” o número de estrelas. Contudo, o peso do mais importante prémio da gastronomia mundial é demasiado grande para não haver apostas e sugestões sobre quem vai ganhar o quê.

Mayte Carreño, diretora comercial da Michelin Travel Partner Espanha Portugal, pronunciou-se há pouco tempo sobre os resultados deste ano: afirmou que 2017 seria “o ano de consolidação” do panorama Michelin em Portugal e que entre o nosso país e Espanha haveria um novo “três estrelas”. Vale o que vale, e não há como esperar por dia 22. Até lá, fique com uma lista de possíveis em Portugal vencedores de uma, duas e três estrelas. Estas são as nossas apostas.

Euskalduna Studio

R. de Santo Ildefonso, 404, Porto. 935 335 301 www.euskaldunastudio.pt

A favor: O restaurante do chef Vasco Coelho Santos pode ainda ser recente, mas as opiniões de quem já o visitou são unânimes: aqui faz-se comida de altíssima qualidade. Outra coisa não seria de esperar, tendo em conta o currículo do portuense — nos três anos que viveu no País Basco, em Espanha, trabalhou em três dos mais famosos restaurantes do mundo, El Bulli, Mugaritz e Arzak.

Contra: Por muito que no Guia de 2017 tivessem entrado vários restaurantes que nem um ano de vida tinham, a verdade é que o Euskalduna ainda é muito recente. Outro fator a ter em conta é a rigidez dos padrões Michelin para restaurantes na Europa. O Guia gosta do restaurante de toalha branca engomada e talheres pesados de prata brilhante. Ora, no Euskalduna só existem duas mesas de quatro lugares e um longo balcão com capacidade para 7 clientes. Por muito que cada vez mais se procure a informalidade nas refeições de topo, a marca de pneumáticos pode não gostar.

Provável

A comida do chef Vasco e da sua equipa tem um nível de descontração e profissionalismo muito interessante. Esta atitude perante a comida fez com que em pouco tempo se afirmassem na cidade do Porto. Contudo, o Guia nunca foi muito generoso com o norte do país e não se pode ignorar o ainda curto tempo de vida do Euskalduna. Esta não é uma aposta 100% segura, mas uma vitória já este ano não deve ser descartada.
[Veja aqui um vídeo sobre a vida secreta dos inspectores que atribuem as estrelas Michelin]

Midori

Penha Longa Resort, Estrada da Lagoa Azul (Alcabideche), Cascais. 21 924 9011 www.penhalonga.com

A favor: O Midori, restaurante de inspiração japonesa no Penha Longa Resort, não é novo, mas nos últimos tempos foi alvo de uma transformação profunda que não só o modernizou como o tornou ainda mais apetecível — tanto para os clientes como para o Guia Michelin. Reduziu o número de lugares e passou a dedicar ainda mais atenção ao público que o visita. A par desta transformação, também trabalho do chef Pedro Almeida galgou vários patamares, refinando receitas e introduzindo novos menus que juntam o Oriente com Portugal de forma equilibrada e refinada.

Contra: O Midori está inserido num resort de luxo onde também se encontra o LAB by Sergi Arola, espaço que no ano passado ganhou a sua primeira estrela. Levanta-se a dúvida: O guia aceitará o facto do mesmo complexo hoteleiro ter dois restaurantes estrelados em tão curto espaço de tempo? O senso comum diz-nos que esta realidade não é de todo um obstáculo — afinal, o que interessa é a comida e o serviço, não a vizinhança. Contudo, casos deste género são muito raros — em Paris, por exemplo, existe o único hotel da Europa com três restaurantes galardoados, o Four Seasons Hotel, George V, Paris, onde ficam os restaurantes Le George (1 estrela), L’Orangerie (1 estrela) e o Le Cinq (3 estrelas).

Provável

Se o Japão é o país com mais estrelas Michelin, seria estranho não ter em conta o Midori como um bom candidato ao galardão gastronómico. Além do mais, a criatividade do chef Pedro é um grande ponto a favor, muito por culpa da forma como conjuga os sabores nipónicos com a cozinha tradicional portuguesa.

Mini Bar

R. António Maria Cardoso 58, Lisboa. 211 305 393 www.minibar.pt

A favor: Qualquer projeto que tenha o nome de José Avillez associado arrisca-se a ganhar uma estrela Michelin. No ano passado, já se falava da possibilidade deste espaço mais descontraído poder entrar no Guia, mas a verdade é que tal não aconteceu. Por muito que a ambiência e o serviço possam ser mais relaxados, a comida que se serve no Mini Bar é bem trabalhada e criativa o suficiente para deixar este espaço na lista dos possíveis vencedores.

Contra: Por esta altura, já quase se perdeu a conta ao número de restaurantes do chef português. Por muito que a sua “máquina” já esteja mais que bem oleada, o Guia pode torcer o nariz a esta expansão muito rápida de Avillez.

Provável

Qualidade, serviço, criatividade e inovação. Por muito que o Mini Bar não ganhe já o seu primeiro “macaron” (nome que o Guia Michelin dá às suas estrelas), a verdade é que a união de todos estes fatores faz com que, mais cedo ou mais tarde, ele entre no Guia vermelho.

Gusto by Heinz Beck

Conrad Algarve, Estrada da Quinta do Lago, Almancil, Algarve. 289 350 700 www.conradalgarve.com

A favor: Heinz Beck tem restaurantes espalhados por todo o mundo e um deles, o Rome Cavalieiri, tem três estrelas Michelin. Se neste espaço no Algarve se mantiver o mesmo nível de qualidade, este Gusto, portanto, será um eterno candidato às estrelas. Durante os seus primeiros anos, a equipa de cozinha foi muito instável, havendo constantes alterações. Atualmente, a brigada está mais sólida e isso pode abrir caminho rumo ao Guia. Depois de no ano passado ter escapado à “chuva de estrelas”, terá chegado o momento de celebrar a vitória?

Contra: O nome do chef Heinz Beck é fator relevante no posicionamento do Gusto rumo ao Guia. O problema é que o mesmo não passa muito tempo nesta sua casa alternativa, o que pode ser determinante na atribuição de estrelas.

Muito provável

A estabilização da equipa de cozinha — coisa que faltava retificar no Gusto — pode ser o elemento chave para garantir, finalmente, um novo triunfo ao chef alemão.

Palco

Hotel Teatro, Rua Sá da Bandeira, 84 (Baixa). 220 409 620 www.hotelteatro.pt

A favor: No ano passado, o Observador já tinha destacado o trabalho desenvolvido pelo chef Arnaldo Azevedo. A consistência e a qualidade superior já tiveram mais um ano para maturar e isso pode ser determinante numa possível vitória. A juntar a isto é importante ter em conta que o próprio chef já admitiu ter sido visitado por inspetores Michelin.

Contra: Os entraves realçados no ano passado mantêm-se: tanto o Palco como o próprio chef Arnaldo continuam sem ter grande projeção, tanto em Portugal como lá fora. Por muito que o Porto se esteja a destacar no ramo do turismo e da hotelaria, isso pode não ser suficiente.

Pouco provável

Se as visitas de inspetores aconteceram, o Palco pode estar bem posicionado. Porém, se chegar mesmo a ganhar uma estrela, não deixaria de ser uma surpresa.

Vista

Bela Vista Hotel & Spa. Avenida Tomás Cabreira (Praia da Rocha), Portimão. 282 460 280 www.vistarestaurante.com

A favor: O trabalho do chef João Oliveira é já há algum tempo tido como digno de estrela — não é por acaso que na edição anterior do Guia era tido como um dos favoritos para ganhar o primeiro astro. O trabalho que tem desenvolvido está muito ligado ao mar e àquilo que ele dá, mais concretamente com a utilização de espécies menos conhecidas — ou tidas como menos nobres.

Contra: O Algarve é a zona de Portugal com maior concentração de estrelas Michelin, somando oito estrelas em apenas seis restaurantes. Por muito que esta seja uma das regiões do país com maior desenvolvimento turístico, uma nova estrela poderia tornar ainda mais desequilibrada a distribuição de galardões pelo território nacional.

Muito provável

Pormenores à parte, este pode muito bem ser o ano de João Oliveira. Apesar da sua juventude, já teve tempo de se assentar em solo algarvio e construir uma oferta de qualidade sólida no seu Vista.

Vistas

Monte Rei Golf & Country Club, Sitio Do Pocinho – Sesmarias, Vila Nova de Cacela. 281 950 950 www.monte-rei.com

A favor: Quando Albano Lourenço liderou a cozinha da Quinta das Lágrimas, em Coimbra, chegou a ganhar uma estrela Michelin, em 2004. Contudo, o destino quis que a perdesse em 2012, realidade que lhe tirou algum fôlego. De há dois anos para cá, este chef reeinventou-se e começou um novo capítulo no Vistas. Já teve tempo para construir um menu sólido e a experiência passada a lidar com o Guia pode ser determinante.

Contra: Albano pode já ser um cozinheiro muito experiente, mas se não tiver uma equipa de cozinha estável, tudo fica mais complicado. Não passou assim tanto tempo desde que assumiu o controlo do Vistas (esta é a sua segunda temorada no restaurante, entrou nos últimos meses de 2016) e por isso pode ainda não ter consolidado a sua equipa.

Possível

Conseguirá Albano ultrapassar os obstáculos de ter um restaurante de fine dining numa zona do Algarve onde este registo gastronómico é pouco expressivo? Já terá conseguido estabilizar uma equipa de trabalho que garanta a consistência? Só dia 22 se saberá…

Feitoria

Altis Belem Hotel & Spa, Doca do Bom Sucesso, Lisboa. 210 400 208 www.restaurantefeitoria.com

A favor: O restaurante do chef João Rodrigues foi responsável por uma das maiores surpresas da anterior atribuição de estrelas. Depois de um ano de 2016 onde apostou forte na afinação do seu trabalho — trabalhando muito perto de pequenos produtores e virando todas as atenções para o produto e a sua simplicidade, por exemplo — todos esperavam que fosse subir ao patamar das duas estrelas. Tal acabou por não acontecer mas, agora, com ainda mais um ano de trabalho e aperfeiçoamento em cima, este poderá ser o momento da vitória.

Contra: O Guia não costuma ser generoso na atribuição de segundas estrelas em Portugal. Ora, como no ano passado já tivemos dois novos duas estrelas, os inspetores podem achar que já é demasiado.

Provável

Não existem grandes motivos para que João Rodrigues não alcance o estatuto de duplo estrelado. Bom serviço, consistência e enorme dedicação na busca do produto perfeito. Só falta o Guia concordar.

São Gabriel

Estrada Vale do Lobo, Quinta do Lago, Almancil. 289 394 521 www.sao-gabriel.com

A favor: Leonel Pereira é um dos mais criaivos chefs portugueses e isso comprova-se ao perceber o extenso trabalho de investigação que há alguns anos vem a realizar com a Universidade do Algarve, por exemplo. Essa aposta reflete-se na qualidade e arrojo da comida que serve no São Gabriel. Por manter o estatuto de um estrela há três anos já terá consolidado a sua equipa — o seu número dois, João Viegas, até foi considerado o Chef Cozinheiro do Ano 215 — e estará pronto para dar o salto.

Contra: Só nos 63 quilómetros quadrados de Almancil, no Algarve, existem três estrelas Michelin. Quererá o Guia dispersar mais os prémios? A grande rotatividade de novos pratos também pode ser um ponto prejudicial para o São Gabriel.

Provável
A qualidade da comida, a sólida equipa de cozinha e a sede de inovação podem ser fatores essenciais para a Leonel chegar à segunda estrela. Não será surpresa nenhuma se a conquistar nesta próxima quarta-feira.

Ocean

Vila Vita Parc Resort & Spa, Rua Anneliese Pohl, Porches. 282 310 100 www.restauranteocean.com

A favor: É quase unânime a opinião da comunidade de cozinheiros em Portugal: o trabalho de Hans Neuner é digno das três estrelas. Ora se os especialistas assim o pensam, não será muito arriscado considerar que o Ocean pode tornar-se no primeiro restaurante do país a ganhar as três estrelas Michelin. O fato de todo o espaço ter sido alvo de extensas remodelações só faz com que esta hipótese ganhe mais força.

Contra: Atingir os três “macarons” é um feito muito complicado e o Guia vermelho não os atribui de ânimo leve. Não só tem de haver um nível de perfeição quase total — do guardanapo ao mais intricado prato — como é preciso mantê-lo de forma recorrente, sem nunca falhar. Um restaurante no Algarve, sujeito à sazonalidade do turismo, conseguirá manter a bitola de exigência/qualidade?

Muito provável

Por irónico que possa parecer, o primeiro três estrelas em Portugal pode mesmo vir a nascer das mãos de um chef estrangeiro. Resta saber se é já este ano ou não.

Belcanto

Largo de São Carlos, 10, Lisboa. 213 420 607 www.belcanto.pt

A favor: José Avillez já é há muito o mais popular cozinheiro em Portugal, mas recentemente tem ganho maior visibilidade no estrangeiro — parecerias com outros chefs como Diego Muñoz, com quem abriu a Cantina Peruana, ajudaram a atingir esse patamar. Para lá disso, o Belcanto é uma máquina de eficiência e constância, elemento muito valorizado pelos inspectores do Guia. Até os que o acusam de nunca mudar de pratos estão a ficar sem argumentos, já que o chef introduziu várias novas receitas.

Contra: Com razão ou não, o Guia costuma torcer o nariz a chefs que se multiplicam num sem fim de outros projetos — José Avillez cai um pouco nesta categoria. Poderá este factor pôr em causa a terceira estrela?

Provável

É difícil perceber ao certo se o Belcanto pode já alcançar as três estrelas, mas tudo parece apontar para o “sim, consegue”. É mais um restaurantes que certamente alcançará o topo, mesmo que não seja já em 2017.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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