O comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros acredita que Mário Centeno reúne “as condições requeridas” para presidir ao Eurogrupo, mas avisa que o ministro português “não é o único que pode lá chegar”. Pierre Moscovici fala de um outro nome com quem “gostaria de trabalhar”: o ministro das Finanças italiano, Pier-Carlo Padoan.

As declarações de Moscovici surgem numa entrevista à TSF onde o comissário francês diz que “Mário Centeno está certamente entre” os candidatos que reúnem condições para presidir ao grupo informal de ministros das Finanças da zona euro. E se assume gostar da ideia de ter Centeno à frente de uma instituição europeia com quem trabalha de forma estreita, Moscovici também fala noutro potencial candidato: “Eu gostaria de poder trabalhar como Mário ou com Padoan ou quem quer que seja presidente do Eurogrupo, porque há potenciais candidatos muito bons”.

Na semana passada, o Observador soube, junto de fontes que estão a acompanhar o processo de avaliação da candidatura do ministro português, que houve duas manifestações de desistência nos últimos dias, uma delas é precisamente a do ministro das Finanças italiano. Apesar disso, Padoan parece continuar a ser um nome de referência para Moscovici, uma das vozes mais influente na comissão quando o assunto toca na área das Finanças.

Candidatura de Centeno ao Eurogrupo ganha força

O italiano estava, tal como o ministro das Finanças francês Bruno Le Maire, no grupo dos preferidos. Mas os dois terão mostrado o seu desinteresse numa candidatura, de acordo quem está acompanhar as movimentações em Bruxelas, com vista à candidatura do ministro português. Isto na última semana, porque até à data limite, o jogo de influências europeu pode ditar uma viragem de última hora, mesmo em vontades já expressas (ainda que não publicamente).

A eleição será feita por maioria simples, o que exige que um candidato tenha 10 votos para vencer. Se não for obtida essa maioria na primeira volta, os candidatos serão convidados a reavaliar a sua candidatura. Mas neste grupo informal, a prática é que se chegue a um consenso também ele informal, antes dessa votação, para que a decisão possa surgir por consenso.

Moscovici diz que tudo “deve ser decidido antes de quinta-feira” desta semana. Numa carta enviada aos ministros das Finanças que fazem parte do grupo informal, constava o dia 1 de dezembro como o dia em que serão conhecidos os candidatos. Também definia que quem tem intenção de avançar nesta corrida o faça até ao dia 30 de novembro, precisamente quinta-feira.

A candidatura de um socialista tem vindo a ser colocada como a hipótese mais forte, dentro do equilíbrio de famílias políticas no tabuleiro europeu. Ainda assim, Moscovici adverte que “pode não ser óbvio que seja um socialista a presidir”. “Penso que podia haver pelo menos um bom candidato para presidir ao Eurogrupo porque este grupo precisa de uma liderança. É preciso ter um líder forte, bom e dedicado ao projeto europeu e que saiba que, ao mesmo tempo, é preciso seriedade e flexibilidade”.

De parte fica, para já, que o comissário dos Assuntos Financeiros acumule a presidência do Eurogrupo. Embora Moscovici espere que o próximo presidente do grupo informal o fosse “por um curto período” e que entretanto exista uma nova comissão. “Continuo a acreditar que devemos avançar para a fusão entre a Comissão em funções e a presidência do Eurogrupo. Mas, isto ainda não está preparado. Isto tem de ser incluído no pacote [de reforma da União Económica e Monetária]”, disse o comissário europeu à TSF.