Na génese o cartão de crédito foi concebido para facilitar a vida aos homens de negócios que preferiam não ter disponível dinheiro cash por comodidade ou até por uma questão de segurança. A mesma lógica pode ser aplicada hoje ao consumidor comum. O cartão de crédito minimiza os riscos de perda de dinheiro ou roubo e tem a vantagem de ser aceite em muitos países, o que constitui uma mais valia nas viagens ao estrangeiro. É também um meio de pagamento por excelência nas compras online. Será realmente inseguro usá-lo com esta finalidade? Desengane-se. Desfaça este e outros mitos sobre o uso do cartão de crédito.

Mito 1: É vantajoso usar cartão de crédito?

Tudo depende do uso que fizer do seu cartão de crédito, a consciência financeira é fundamental, comportamentos como gastar mais do que deve estão fora de questão. Se for corretamente utilizado o cartão de crédito pode ter muitas vantagens e ser um ótimo aliado na gestão dos fluxos financeiros.

Além disso, pode funcionar como uma rede para fazer frente a imprevistos financeiros, com a vantagem de ter crédito imediato, sem ser necessário recorrer a novas autorizações. Trata-se também de um crédito renovável (revolving), ou seja, à medida que vai pagando a dívida o crédito volta a estar disponível até ao limite do plafond do cartão.

Os cartões de crédito têm plafonds mensais que variam em geral entre os 500 e os 12.500 euros. O banco avaliará o risco de cada cliente para atribuir o valor que mais se adequa ao perfil financeiro. Os limites de crédito não devem exceder a capacidade financeira do seu titular, evitando situações de incumprimento e acumulação de dívidas.

Acompanhe o ciclo de extrato

O titular do cartão deverá estar atento aos chamados ciclos de extrato, para evitar os encargos com juros. O período de crédito gratuito varia de 20 a 50 dias, dependendo da data da compra e do fecho do extrato. Se utilizar o cartão dentro deste intervalo de tempo tem acesso a um empréstimo de curto prazo sem juros.

No caso da Caixa Económica Montepio Geral, existem quatro datas fixas para o fecho do extrato – 2, 9, 15 ou 22 – quando será efetuada a cobrança automática. Por norma, os valores utilizados no cartão são pagos a 100%, mas pode fazer ajustamentos à percentagem a pagar até 48 horas antes do fecho. Existe sempre um montante mínimo que terá que liquidar: 15% do valor utilizado, sendo o restante pago faseadamente e com juros. Pode também pagar antes do dia por iniciativa própria e sem juros

Mito 2: O cartão de crédito é caro?

Os cartões de crédito parecem todos iguais, mas não são. Verifique sempre as condições (mensalidades ou anuidades, por exemplo) antes de escolher.

A anuidade dos cartões de crédito varia entre os 12,50 a 72 euros, dependendo do tipo de conta a que está associada. Há também casos em que o valor da anuidade diminui consoante o volume de compras efetuado com o cartão.

Na Caixa Económica Montepio Geral, o valor máximo da anuidade não ultrapassa os 45 euros para o caso dos associados da Associação Mutualista Montepio.

Faça um uso racional do cartão de crédito e fique a ganhar

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Exemplo 1: Está a pensar fazer uma viagem nas férias, encontrou uma oportunidade a um preço excecional, mas não tem o subsídio de férias ainda disponível para suportar o gasto? O cartão de crédito pode ser a solução sem representar custos adicionais. Se o fecho de extrato acontece no dia 9 de cada mês e a compra do bilhete foi efetuada a 10 de junho, significa que a conta só será efetivamente paga a 29 de julho (50 dias depois), o que lhe oferece a margem de manobra necessária para receber o subsídio de férias e colocar o dinheiro de parte.

Exemplo 2: Nos pequenos negócios o cartão de crédito pode também ser uma arma secreta para os empresários que tenham necessidades imediatas de liquidez. Ao necessitar de mil euros para encomendar produtos para vender, a empresa pode recorrer ao cartão de crédito para fazer o pagamento, não ficando a dever qualquer valor ao fornecedor. As contas serão depois acertadas com o banco na data acordada, quando já tiver vendido os produtos. Desta forma, a conta recebe apenas o lucro dos produtos sem nunca ter investido o seu dinheiro.

Outro encargo é o pagamento de juros e de imposto de selo quando a liquidação não é efetuada a 100% na data de fecho do ciclo do extrato. Basicamente, o custo sobre o crédito tem por base o cálculo de 1/12 avos da taxa de juro (neste caso cerca de 1%, média dos cartões da CEMG) sobre o saldo não pago e o imposto de selo de 4% sobre o valor cobrado em juros. Ou seja, por cada 100 euros que o cliente tenha a juros (portanto, não pagos), teria um custo de 1 euro de juros, acrescido de 0,04 euros de imposto de selo.

Mito 3: O cartão de crédito é inseguro?

Nas compras online basta ter acesso aos dados do cartão de crédito (número, data de validade e os três dígitos de segurança) para fazer pagamentos. Por este motivo, algumas pessoas receiam que os dados sejam copiados e possam ser utilizados indevidamente, mas existem formas de garantir a segurança.

Com o MBNet é criado um cartão virtual, que não usa dados reais. A adesão ao MBNet processa-se por iniciativa do titular numa caixa multibanco, através dos serviços de Homebanking ou mesmo na app do MB Way, onde será feita a associação do cartão a um código secreto específico.

Já o 3D Secure mesmo utilizando os dados do cartão só permite completar uma compra se introduzir um código de seis digitos que o sistema envia para o telemóvel do titular.

É importante que guarde sempre os registos das transações efetuadas online, incluindo a informação do comerciante e o sítio na Internet. Consulte também de forma regular os extratos das suas contas bancárias, de forma a detectar eventuais transações que não tenha realizado. Se tiver dúvidas, contacte de imediato o seu banco.