Saúde da Mulher

Acesso a contracetivos em países pobres aumentou, mas está longe do objetivo

Em julho deste ano eram mais 38,8 os milhões de mulheres e jovens que usavam métodos de contraceção nos países abrangidos pelo Planeamento Familiar 2020.

O Planeamento Familiar 2020 abrange 69 países

ANTONIO COTRIM/LUSA

O número de mulheres e raparigas com acesso a métodos contracetivos em países do programa Planeamento Familiar 2020 (FP2020) como Moçambique e Timor-Leste continua a aumentar, mas ainda está longe do objetivo, indica um relatório publicado esta terça-feira.

Segundo as estimativas feitas pelos autores do estudo “FP2020: The Way Ahead”, em julho deste ano de 309 milhões de mulheres e jovens dos 69 países que fazem parte do FP2020 usavam um método moderno de contraceção. Isto equivale a 38,8 milhões a mais do que os cerca de 271 milhões de 2012 usados como referência, quando o FP2020 foi lançado, na sequência da Cimeira de Londres sobre Planeamento Familiar.

Na altura, foi determinada uma meta de proporcionar métodos contracetivos modernos a mais 120 milhões de jovens e mulheres nos países mais pobres até 2020, garantindo a proteção dos direitos humanos das mulheres e o acesso a cuidados de saúde e instrumentos de planeamento familiar.

De acordo com o relatório publicado, o alargamento do acesso entre julho de 2016 e julho de 2017 a métodos contracetivos modernos, como a pílula, o contracetivo injetável, os preservativos e o dispositivo intrauterino permitiu evitar 84 milhões de gravidezes não planeadas, 26 milhões de abortos inseguros e a morte de 125 mil mães durante os partos.

O estudo indica que África é o continente que mostra maior progresso nesta área, embora, em número, na Ásia o número de novos utilizadores é maior porque aquele continente inclui quatro dos cinco países mais populosos do FP2020: Índia, Indonésia, Paquistão e Bangladesh.

“O FP2020 é um movimento liderado pelos países para capacitar as mulheres e as jovens investindo no direito ao planeamento familiar. Acreditamos que todas as mulheres e as mulheres devem ter a possibilidade de moldar sua própria vida”, afirmou a diretora executiva da FP2020, Beth Schlachter, num comunicado.

O planeamento familiar, vincou, “é um direito básico e um serviço de saúde capaz de transformar a vida com o potencial de acelerar o progresso em todos os nossos objetivos de desenvolvimento”.

Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os países lusófonos que fazem parte deste programa e também do grupo que tem condições para acelerar o progresso.

Na Cimeira do Planeamento Familiar realizada em julho deste ano, também em Londres, Moçambique foi um dos 33 países do FP2020 que renovou os seus compromissos existentes, delineando novos objetivos, pretendendo alocar mais fundos públicos e mais recursos para chegar a mais raparigas e mulheres.

Moçambique comprometeu-se a aumentar a taxa de prevalência de contracetivos modernos das jovens entre os 15 e os 19 anos de 14,1% para 19,3% até 2020 e dos adolescentes sexualmente ativos não casados de 26,7% (de 2011) para 50% até 2020.

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