Álcool

Nem pera coreana nem água: a ressaca não se cura, aguenta-se

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Depois de uma noite de excessos, qual a melhor forma de evitar as náuseas, a dor de cabeça e a falta de energia? Não parece haver cura certa, mas há formas de minimizar a má disposição.

iStockphoto/Rawpixel

A manhã de dia 1 de janeiro será, muito provavelmente, o momento mais tranquilo do ano. Dados os festejos — e os excessos — habituais do reveillon, muita gente opta por ficar em casa, enfiado na cama, à espera que a ressaca passe. Contudo, há quem tente contrariar o magnetismo do escuro e da almofada para combater as náuseas e a dor de cabeça, empenhando-se em técnicas e mezinhas que aliviem todas essas maleitas. Mas haverá mesmo forma de eliminar uma ressaca?

A pergunta é milenar e muita gente jura saber todos os segredos para a responder. Apesar disso, pessoas como Ed Boyer, um toxicologista do Bringham and Women’s Hospital em Bosto (EUA), não está muito convencido. “Ninguém sabe ao certo o que causa a ressaca e é por isso que não sabemos como a curar”, contou à Time. Foi a partir desta citação que o site noticioso Quartz se debruçou sobre o assunto.

Existem muitas teorias que tentam explicar o porquê de nos sentirmos tão mal depois de uma noite de excessos — alguns investigadores sugerem que o processo fisiológico de assimilação de álcool cria um outro químico, mais poderoso, que nos faz sentir tontos e enjoados. Os “congeners”, impurezas que dão às bebidas alcoólicas mais cor e sabor, são tidos como grandes responsáveis na sensação terrível do “pós-festa”. A desidratação, claro, também não ajuda. Mesmo assim, apesar de já existirem estas certezas, a verdade é que ainda se sabe muito pouco sobre a natureza intangível da veisalgia, o termo técnico de “ressaca”.

“É tudo muito subjetivo e condicional”, diz Sydnee McElroy, médica e anfitriã do podcast de medicina Sawbones. Num episódio onde ela e o seu co-anfitrião discutiam este mesmo tema, ambos chegaram à conclusão de que como é difícil recriar a mesma ressaca várias vezes, é igualmente inconcebível que a mesma seja correta e cientificamente analisada. Para se realizar um estudo credível era preciso que todas as pessoas da amostra bebessem exatamente a mesma quantidade e tipo de bebida alcoólica e — o mais difícil — garantir que todos o digerissem da mesma forma. Ninguém o faz: a maneira como o álcool nos afeta depende da nossa genética e fisiologia natural.

Mesmo assim, isto não impediu que alguns estudiosos se atirassem a este assunto. Num pequeno estudo realizado em 2015 descobriu que sumo de pera coreana ajudou os “ressacados” em análise a expelir uma série de químicos nocivos da sua corrente sanguínea. Em junho deste ano, a US Food an Drug Administration deu luz verde a um suplemento natural que, se tomado antes de dormir, elimina a ressaca do dia seguinte. Apesar disso, os estudo científicos ao qual esse suplemento foi submetido mostraram ser pouco rigorosos quando se descobriu que era “apenas” mais uma vitamina.

A boa notícia é que existem várias coisas que pode fazer para amenizar os efeitos debilitantes da ressaca: não a vão eliminar totalmente, mas ajudam. A primeira coisa na lista é o ingerir muitos líquidos ou bebidas com eletrólitos (como as bebidas desportivas, por exemplo) antes de dormir, já que assim se consegue combater a desidratação. Depois há também a ingestão de medicamentos anti-iflamatórios como ibuprofeno (com muito cuidado porém, já que muitas drogas nunca devem ser cruzadas com álcool), pois ajudam a combater as dores de cabeça.

Aconselha-se também uma refeição de digestão fácil, para compensar a perda de sal da noite anterior. Uma sesta, para que consiga recuperar algumas horas de sono que seguramente perdeu — o álcool inibe alguns químicos do nosso corpo que ajudam a dar-nos vontade de ir para a cama. Os mais corajosos afirmam que o melhor a fazer é mesmo ir transpirar para o ginásio.

Apesar de todas estas teorias, a verdade é que por enquanto, o melhor é mesmo “ter uma boa noite de sono”, afirma a doutora McElroy.

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