O representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a África Central, François Louncény Fall, disse esta segunda-feira que a ONU “está pronta” para apoiar o processo democrático em São Tomé e Príncipe no âmbito da crise política que atravessa.

“As nações unidas manifestam-se prontas para acompanhar e apoiar São Tomé e Príncipe no quadro do seu processo democrático, temos São Tomé como uma democracia modelo na região e desejamos que o processo político prossiga o seu curso e que este país possa continuar a sua marcha na democracia”, disse François Louncény Fall, em declarações aos jornalistas.

O diplomata das Nações Unidas disse que antecipou para domingo a sua viagem para São Tomé, inicialmente prevista para quarta-feira, tendo iniciado neste dia contactos com as diversas autoridades e partidos políticos do país. Fonte das Nações Unidas na capital do arquipélago justificou a antecipação da visita com a necessidade de “ter mais tempo para ouvir todas as partes envolvidas”.

François Louncény Fall, que tem a missão de “apaziguar a situação de crise” instalada entre o poder e a oposição, foi recebido em audiência pelo primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada, com quem conversou cerca de duas horas.

“Discutimos um conjunto de problemas sobre a vida nacional de São Tomé e Príncipe”, disse o diplomata, numa curta declaração à saída do encontro, reconhecendo que “há um conjunto de problemas no terreno, relativos às próximas eleições” que terão lugar este ano no país.

Fonte do escritório da ONU disse à Lusa que ainda neste dia o representante especial do secretário-geral da ONU terá um primeiro encontro com responsáveis dos três partidos da oposição parlamentar e outro com o partido Ação Democrática Independente (ADI, no poder). Esses dois encontros decorrerão à porta fechada nas instalações das Nações Unidas.

Nas últimas semanas, a situação política em São Tomé e Príncipe deteriorou-se depois de uma crise institucional entre o Presidente da Republica, Evaristo Carvalho, a Assembleia Nacional (parlamento) e o Governo de um lado e o Supremo Tribunal de Justiça/Tribunal Constitucional e a oposição, do outro.

O ponto alto da crise surgiu na última segunda-feira, quando os deputados da oposição tentaram boicotar a eleição de cinco novos juízes para o Tribunal Constitucional autónomo, constituído mesmo depois de um acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, que considera o diploma “ilegal e inexistente”.

Durante a votação, o clima de tensão entre os deputados da oposição e do partido que apoia o Governo, ADI, aumentou na sala de plenário, tendo o executivo enviado para o hemiciclo uma força de choque da polícia nacional para expulsar deputados.