A descida da inflação em Moçambique levou esta segunda-feira o Comité de Política Monetária (CPMO) do banco central do país a reduzir as taxas de juro, anunciou o governador, Rogério Zandamela.

“A contínua melhoria do indicador de inflação e das projeções para o médio prazo justificam o prosseguimento da redução das taxas de juro pelo CPMO”, referiu em conferência de imprensa, após reunião do órgão.

“A inflação anual do país desacelerou pelo nono mês consecutivo, para 3,84% em janeiro, após 20,56% em igual período de 2017, perspetivando-se que a mesma se mantenha em um dígito no final de 2018, tal como anunciado em dezembro último”, acrescentou.

O comité decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária (taxa MIMO), em 150 pontos base, para 18,0%. Reduziu igualmente as taxas da Facilidade Permanente de Cedência (FPC) e da Facilidade Permanente de Depósitos (FPD) em 150 pontos base cada, para 19,0 % e 12,5%, respetivamente.

“Em face da volatilidade que se observa no mercado cambial, o CPMO deliberou aumentar o coeficiente de Reservas Obrigatórias (RO) para os passivos em moeda estrangeira em 800 pontos base, para 22,0%, com efeitos a partir do período de constituição de reservas obrigatórias que inicia a 7 de Março de 2018”, anunciou.

O banco central manteve o coeficiente de Reservas Obrigatórias para os passivos em moeda nacional em 14,0%.

Segundo Rogério Zandamela, o desempenho da atividade económica continua a ser moderado, tendo o Produto Interno Bruto (PIB) atingido 3,7% em 2017 impulsionado pela indústria extrativa, agricultura e transportes.

“Ainda assim, situou-se acima da média da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que foi de 2,8%”, acrescentou. Por outro lado, continuou, o índice do clima económico mostrou uma recuperação no quarto trimestre de 2017, reflexo do otimismo dos empresários inquiridos quanto às perspetivas de emprego, procura e preços.

As reservas internacionais sofreram um desgaste acumulado de 96,3 milhões de dólares (75,8 milhões de euros) devido às vendas realizadas pelo Banco de Moçambique no Mercado Cambial Interbancário, no valor de 87,8 milhões de dólares — das quais se destacam 55,5 milhões de dólares destinados à liquidação da fatura de combustíveis — e ainda devido ao serviço da dívida pública externa, orçado em 86,1 milhões de dólares.

“O saldo das reservas internacionais brutas situou-se em 3.188 milhões de dólares, o suficiente para cobrir 7,2 meses de importações, excluindo as transações dos grandes projetos”, declarou Rogério Zandamela.