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Igreja Católica

Vaticano vai fazer curso de exorcismo no próximo mês

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Tem havido um aumento de queixas de possessões a nível mundial, algo que a Associação Internacional de Exorcistas já considerou uma emergência pastoral

De acordo com um padre da Sicília, o número de pessoas na Itália alegando estar possuído triplicou para 500 mil por ano

AFP/Getty Images

Começa a 16 de abril e prolonga-se até dia 21. Durante o próximo mês, o Vaticano vai dar início a um curso de exorcismo que servirá para treinar sacerdotes de todo o mundo a lidarem com possessões. O motivo? Há cada vez mais pessoas a queixarem-se de estar possuídas, situação que já levou a Associação Internacional de Exorcistas — que é reconhecida pelo Vaticano e representa mais de 200 padres católicos, anglicanos e ortodoxos — a fazer um alerta: estamos perante uma “emergência pastoral”.

Mas onde é que as possessões estão a acontecer? Segundo o Vatican News — que avança a notícia do início do curso — elas acontecem por todos os cantos do globo. Um padre da Sicília e conhecido exorcista de Palermo, Benigno Palilla, garantiu que em Itália o número de pessoas que alega estar possuído triplicou para meio milhão de queixas por ano. Já na Irlanda, o padre Pat Collins diz apenas que a procura de exorcistas aumentou exponencialmente.

No Reino Unido, onde a religião oficial é a anglicana, o think-tank cristão Theos relatou, em 2017, que os exorcismos eram uma “indústria em expansão”, em especial entre os fiéis da Igreja Pentecostal (movimento cristão protestante).

E por que motivo isto está a acontecer agora? A resposta é dividida em duas partes. Para o Vatican News, muitas das possessões não serão reais e serão apenas pessoas com problemas psiquiátricos. Quanto às restantes, é o padre Benigno Palilla quem avança com uma explicação: “Sabe porquê? Porque cresceu a quantidade de pessoas dispostas a ir a feiticeiros, a bruxas, a quem lê cartas e tarot. E isso abre a porta ao demónio. E à possessão.”

O curso internacional para sacerdotes — o primeiro que algum dia se realiza nestes parâmetros — irá ter lugar em Roma, no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum. Durante os seis dias do encontro, os presentes irão estar focados no exorcismo e na oração de libertação (que não são a mesma coisa).

Enquanto o exorcismo tem de ser feito por um sacerdote e durante o ato ele dá ordens ao demónio para que abandone o corpo da vítima, uma oração de libertação pode ser feita por qualquer um, já que é um pedido de graça feito aos anjos, santos ou à Virgem Maria para que interceda junto de Deus, pedindo-lhe ajuda para o possuído.

Pelo Ateneu irão passar os maiores especialistas mundiais em Exorcismo. “A luta contra o mal, que começou na origem do mundo, está programada para durar até o fim do tempo. Mas hoje estamos numa fase crucial na história, muitos cristãos não acreditam na existência do Diabo, poucos são nomeados exorcistas e já não existem padres jovens dispostos a aprender a doutrina e prática da libertação das almas”, disse o padre Cesare Truqui, ao Vatican News.

Truqui foi aluno do padre Gabriele Amorth, reconhecido mundialmente como o exorcista do Vaticano. Amorth morreu em 2016 mas deixou uma vasta obra literária escrita sobre possessões e fundou a Associação Internacional de Exorcistas em 1990, tendo sido presidente honorário até 2000.

O ano passado, o Papa Francisco deixou uma recomendação aos sacerdotes: não hesitem em recorrer a exorcistas “escolhidos com muito cuidado e prudência” quando testemunharem uma grande inquietação espiritual durante o ato da confissã

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