A Rússia votou contra o projeto de resolução dos Estados Unidos, apresentado esta terça-feira no Conselho de Segurança da ONU, para criar um mecanismo de investigação internacional sobre o recurso a armas químicas na Síria. Após o 12.º veto dos russos a uma resolução da ONU sobre a Síria, o Conselho da ONU rejeitou o projeto de resolução proposto por Putin.

Pouco antes, na segunda-feira, a Rússia considerou que o projeto norte-americano conteria “elementos inaceitáveis” e, antes da votação, fonte diplomática russa dizia à agência France-Presse que o veto era “garantido”.

Segundo uma fonte diplomática, “não houve aproximação” de posições na reunião de peritos dos 15 países membros do Conselho de Segurança que se realizou na segunda-feira para tentar encontrar um consenso. O projeto norte-americano previa a criação de um “mecanismo de investigação independente das Nações Unidas” sobre o uso de armas químicas na Síria, com um mandato inicial de um ano, renovável.

A ONU deixou de ter um organismo de investigação para os ataques químicos na Síria depois de, em finais de 2017, uma série de vetos da Rússia ter impedido a renovação do mandato do JIM (Joint Investigation Mechanism, mecanismo de investigação conjunta), um grupo que juntava peritos da ONU e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

O projeto de resolução dos Estados Unidos incluía também uma condenação do regime sírio na sequência do presumível ataque químico perpetrado no sábado contra a cidade rebelde de Douma, em Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, que fez mais de 40 mortos. A oposição síria e vários países acusam o regime de Bashar al-Assad da autoria do ataque mas Damasco nega. O seu principal aliado, a Rússia, afirmou que peritos russos que se deslocaram ao local não encontraram “nenhum vestígio” de substâncias químicas.

Projeto de resolução da Rússia rejeitado no Conselho da ONU

O Conselho de Segurança das Nações Unidas rejeitou esta terça-feira um projeto de resolução da Rússia para criar um novo mecanismo de investigação sobre o uso de armas químicas na Síria. O projeto russo recebeu seis votos a favor, sete contra, entre os quais dos Estados Unidos, França e Reino Unido, e duas abstenções, falhando assim a obtenção dos nove votos necessários para que fosse aprovado.

O projeto de resolução da Rússia foi rejeitado depois de Moscovo ter vetado, na mesma sessão do Conselho de Segurança da ONU, uma proposta dos Estados Unidos para criar um mecanismo de investigação internacional sobre o recurso a armas químicas na Síria, após o alegado ataque em Douma. O projeto norte-americano, que propunha a criação, por um ano, de um novo “mecanismo independente de investigação das Nações Unidas” sobre o uso de armas químicas na Síria, recebeu 12 votos a favor, dois votos contra (Rússia e Bolívia) e uma abstenção (China).

Este foi o 12.º veto russo a uma resolução da ONU sobre a Síria desde o início do conflito armado, em 2011.

A Síria, que entrou no oitavo ano de guerra, vive um drama humanitário perante um conflito que já fez pelo menos 511 mil mortos, incluindo 350 mil civis, e milhões de deslocados e refugiados. Desencadeado em março de 2011 pela violenta repressão do regime de Bashar al-Assad de manifestações pacíficas, o conflito na Síria ganhou ao longo dos anos uma enorme complexidade, com o envolvimento de países estrangeiros, grupos jihadistas e várias frentes de combate.