Uma análise aos restos mortais de Maëlys de Araújo que desapareceu em Pont-de-Bonvoisin, em França, em agosto do ano passado, permitiu concluir que a menina luso-descendente não foi violada antes de morrer — algo que o autor confesso da sua morte sempre negou ter acontecido.

Maëlys tinha uma mandíbula fraturada, provocada por fortes agressões que terão sido a causa da sua morte, apontam as conclusões de uma análise de três meses aos restos mortais da menina luso-descendente de nove anos. Não foram encontradas mais fraturas ou lesões.

O funeral da menina luso-descendente realiza-se este sábado — quatro meses depois de terem sido encontrados os seus restos mortais. A cerimónia pública começa às 14h30, na igreja de Tour-du-Pin, embora a menina vá ser enterrada em Isère. Os pais pediram a todos aqueles que queiram prestar homenagem a Maëlys para trazerem uma flor branca.

Nordahl Lelandais — o principal suspeito do rapto da menor que ficou em prisão preventiva desde o seu desaparecimento — confessou ter matado a menina em fevereiro e colaborou com as autoridades, levando-as ao local do crime para identificar o sítio em que deixou o cadáver. Depois de terem sido encontrados vestígios de sangue no porta-bagagem do seu carro, um Audi A3, Lelandais, de 34 anos, confessou também que a menina esteve no interior do seu carro. O autor confesso da morte — que também é criador de cães — explicou que Maëlys lhe pediu para ir ver os animais. A caminho, a menina terá ficado assustada e pediu para voltarem para trás, aos gritos. Lelandais contou que, nesse momento, deu “uma bofetada com as costas da mão, violenta, na cara” de Maëlys. Ao ver a menina desmaiada, parou o carro e “constatou que já não respirava”.

O corpo da menina luso-descendente foi encontrado após a confissão de Lelandais, em fevereiro deste ano. Cães pisteiros encontraram o crânio de Maëlys e, de seguida, ossadas, no Maciço de Chartreuse, a cerca de uma hora do local do casamento — onde foi dada como desaparecida. Na confissão, Lelandais disse que matou a menina “por acidente” perto da sua casa, escondeu o corpo, voltou para a festa do casamento e mais tarde, voltou para o buscar e escondê-lo noutro local. Na altura, recusou explicar como é que matou a menina, acrescentando que só iria fazê-lo depois de o corpo ter sido encontrado.

O que aconteceu? O casamento, os vestígios de ADN e um suspeito em prisão preventiva

Maëlys desapareceu na madrugada de 26 para 27 de agosto, numa quinta na região de Pont-de-Beauvoisin, em França, a cerca de 85 quilómetros de Lyon. A criança estava numa festa de casamento e foi vista, pela última vez, na sala das crianças. A mãe da menina, prima da noiva, deu por falta da filha quando passavam poucos minutos das 3 horas da manhã.

As autoridades foram chamadas ao local quando, após as primeiras buscas, a criança continuava sem aparecer. Todos os 180 convidados que estavam na festa de casamento foram ouvidos. Também as quase 70 pessoas que estavam noutros salões e bares próximos do local foram interrogadas. As autoridades fizeram o apelo nas redes sociais, nem 24 horas tinham passado do desaparecimento:

Duas pessoas foram detidas: um homem de 24 anos que trabalhava nas imediações da quinta e outro de 34 anos, Nordahl Lelandais, que era convidado do noivo e descrito como amigo do pai de Maëlys, embora os pais da menina, Joachim e Jennifer de Araújo, tenham negado conhecê-lo. O primeiro suspeito estava perto da quinta onde se realizou a cerimónia e já tinha falado à polícia, mas as declarações prestadas foram consideradas inconsistentes e acabou por ser detido. Foi libertado dois dias mais tarde.

O segundo suspeito, Nordahl Lelandais, terá garantido no interrogatório inicial à polícia que não saiu do local da festa mas outros convidados disseram à polícia que o tinham visto ausentar-se no momento em que a menina terá desaparecido. Lelandais reconheceu, mais tarde, que mentiu. As autoridades resolveram prolongar o seu prazo de detenção por mais um dia, mas acabaram por libertá-lo no dia seguinte. Lelandais, que já era conhecido da polícia local por “delitos comuns”, entre os quais consumo de drogas, ficou em prisão preventiva — dois dias depois de ter sido libertado — depois de a polícia ter descoberto vestígios de ADN no painel de controlo do carro e o próprio suspeito ter admitido que a menina esteve no interior da viatura.

Em janeiro deste ano, os pais da criança disseram à imprensa francesa ter conseguido identificar a filha nas imagens de videovigilância que mostram o carro de Lelandais a abandonar o local do casamento. Maelys seguia no lugar do “pendura” e saiu por volta das 2h45. Recorde-se que a ausência da menina foi notada quando passavam poucos minutos das 3 horas da manhã. No momento em que Lelandais regressou, vinha sozinho.